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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

António Sousa Homem ~ Do mês de Fevereiro às regras de vestuário


Correio da Manhã
Em certos aspectos

Do mês de Fevereiro às regras de vestuário

“Os ‘cardigans’ do velho doutor Homem, meu pai, eram famosos quer no escritório quer em casa, usados no recato do seu ambiente de trabalho ou de recolhimento”
Por:António Sousa Homem

Todos os anos Fevereiro traz a chuva, o frio e o Entrudo. A máxima não é popular, mas aplica-se com propriedade a um mês tão cheio de susceptibilidades. A falar verdade, o Inverno verdadeiro, o Inverno de nome e renome, é o de Fevereiro, quando despontam – muito ao largo, muito ao longe – as primeiras ameaças de um desejo de Primavera. Só essa condição permite que um mês mais curto pareça verdadeiramente longo e interminável.
O velho Doutor Homem não gostava de Fevereiro e atribuía--lhe os defeitos do Entrudo, do Inverno e do frio – antes que chegasse a sua bem amada "meia estação", o período em que um dândi à sua medida poderia usar o guarda-roupa mais sofisticado de todos os alfaiates da Baixa portuense. Penso nisso por causa do cinema. Periodicamente, em noites que começam mais cedo, aproveito para rever alguns filmes que recordo da minha idade adulta ou da minha juventude (ambas se misturam com muita bonomia, uma vez que a família pensa que nunca tive juventude).
Nessa altura, filmes dos anos quarenta e dos anos cinquenta, ou da primeira metade dos anos sessenta, os actores vestiam razoavelmente bem. Não era necessário frequentar Saville Row para o perceber. As fotografias de família ou os retratos de rua mostravam sempre um certo rigor no vestuário que, depois, desapareceu com a informalidade, as democracias e as estrelas do ié-ié.
Vestir "com certa razoabilidade" era uma regra seguida nesta velha família de advogados portuenses e de minhotos convertidos à parcimónia. As regras eram flutuantes, mas apreciáveis, com uma série de imposições para cada ocasião, para cada hora do dia e para cada estação do ano.
Os ‘cardigans’ do velho Doutor Homem, meu pai, eram famosos quer no escritório quer em casa, usados no recato do seu ambiente de trabalho ou de recolhimento; mas nada nos impressionava tanto (éramos três rapazes atrevidos e vaidosos) como aquele cuidado ligeiro que fazia dele tanto um mestre de Cambridge (onde ele teve a ilusão de poder ter vivido, se fosse o inglês que nunca chegou a ser) como um boémio de Paris (o que acredito que chegou a ser). O Porto manteve sempre essa correcção que estava longe de ser considerado um acto de vaidade mas, pelo contrário, de respeito pela rua e pelos concidadãos, que não nos viam em chinelos e roupa por engomar.
Nesses filmes de outrora, funcionários discretos ou gente rica da América vestiam com uma elegância que ainda hoje me distrai da própria história que o filme conta. Todos sabemos que o hábito não faz o monge, mas ajuda bastante.

sábado, 21 de janeiro de 2012

FETICHE: O Calendário PIRELLI 2012‏ e suas belas musas








Revista Mensch
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011


FETICHE: O Calendário PIRELLI 2012‏ e suas belas musas

Aquela antiga paixão por antigos calendários de parede ao longo dos anos se tornou uma verdadeira forma de fetiche que atiça milhares de homens (e mulheres) ao longo dos tempos. Alguns viraram peças clássicas e objetos de arte. Saíram dos escritórios e borracharias e ganharam as galerias de arte e o status de um verdadeiro objeto de cobiça para poucos felizardos.
O mais famoso deles, o mundialmente conhecido e disputado Calendário Pirelli, foi lançado nossa terça (06/12) para a imprensa mundial, convidados Vips e colecionadores de todo o mundo. Esse ano batizado pelo fotógrafo de "Swoon", a apresentação do Calendário da Pirelli 2012 foi realizada no “The Armory”, um edifício militar datado do início do século XIX e que é agora um monumento histórico. Pela primeira vez o lançamento ocorreu em Nova York e trouxe um fotógrafo italiano, o badalado Mario Sorrenti, para produzir as fotos dessa edição do calendário que tem contribuído para sua história de ter se tornado um verdadeiro objeto de adoração.

Charlotte Cotton, curadora de Fotografias na V & A Sorrenti, apresentou para o público (imprensa na sua maioria italiana), chamando-o de "um de um punhado de imagens que visualmente define esta época" Ela comemorou seu "sentido excepcional de emoção real" capturada através de uma lente fotográfica.

Napolitano de nascimento, que adotou Nova York como sua moradia, Mario Sorrenti escolheu a Ilha da Córsega e sua paisagem agreste para refletir o 'desmaio', o “ecstasy” dessas imagens capturadas, como cenário ideal. "A intensa relação que se desenvolve entre o fotógrafo e sua musa é essencial para estabelecer um diálogo forte estético que leva à sublimação da beleza natural. Eu tenho trabalhado isso como tema das minhas fotos numa relação simples, íntima e real, o que me permitiu transferência de pureza imagens. Em "Swoon" eu coloquei os corpos em contato com a natureza, que os recebeu como uma extensão do seu corpo, em uma série de imagens onde rochas, solo e árvores, céu e mar tornam-se decorações." Explica Mario Sorrenti, artista conhecido por sua capacidade extraordinária em retratar o nu. 

 

Mais conhecido por suas imagens de nu para revistas de moda como Vogue e Happers Bazaar, a exploração de Sorrenti pela beleza humana é uma das suas buscas ao longo da vida, e que o levou de sua cidade natal de Nápoles para o mundo da moda em Nova York, via Londres, quando ele era apenas adolescente. Com apenas 21 anos, recebeu muitos elogios quando criou a campanha para a Calvin Klein do perfume Obsession, com a modelo Kate Moss. Que em pouco tempo tornou-se confidente de Sorrenti, assim como outras modelos, como Milla Jovovich, que brincou dizendo que ela só ficaria nua na frente de Sorrenti. Eles se conhecem desde adolescentes quando começavam na indústria da moda.



“Eu sempre pensei em tirar a roupa como uma forma de aproximar o indivíduo e a pessoa, e de conseguir algo que fosse mais honesto e puro",
disse Mario Sorrenti

O calendário Pirelli tem sido um dos mais procurados por colecionadores de fotografias de nu desde a sua criação em 1964. A famosa empresa de pneus italiana teve essa idéia de fazer um calendário que apresentasse trabalhos dos mais influentes fotógrafos do mundo, tais como Norman Parkinson, Herb Ritts, Richard Avedon, Lindberg Pedro e Patrick Demarchelier, registrassem com suas lentes e talentos as maiores belezas de todos os tempos em forma de mulheres nos locais mais remotos em todo o globo. Sua exclusividade tem sido um dos grandes diferenciais do calendário da Pirelli, o calendário não é vendido em qualquer lugar, ele é enviado para a realeza, celebridades e VIPs redor do mundo.

Natasha Poly
Das 25 fotos do Calendário Pirelli 2012, 18 são em preto & branco e 7 coloridas. E traz como protagonistas desta edição 12 belas mulheres: 9 modelos e 3 atrizes. Entre As modelos estão a brasileira Isabeli Fontana(que já apareceu no Calendário da Pirelli fotografada por Bruce Weber em 2005 e por Patrick Demarchelier em 2009) a russa Natasha Poly (presente no Calendário Pirelli de 2011 por Karl Lagerfeld), a holandesa Saskia de Brauw e Lara Stone(imortalizada em 2009 por Peter Beard e em 2011 por Karl Lagerfeld). Além da top Kate Moss (que apareceu no Calendário Pirelli de 1994 por Herb Ritts e em 2006 por Mert e Marcus). O elenco de atrizes tem como a mais famosa Mylla Jovovich, que já esteve presente no Calendário Pirelli de 1998 por Bruce Weber.


O resultado final dessas 25 imagens, inclui acabamento impecável de luxo. Cerca de 10 mil cópias do calendário foram impressas. Devido à sua natureza exclusiva, o calendário estará disponível apenas para VIPs da PIRELLI.

Assista o making of completo. Puro deleite!

http://revista-mensch.blogspot.com/2011/12/aquela-antiga-paixao-por-antigos.html 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Festa de anos- Tiago Rebelo


 Correio da Manhã


Breves histórias

Festa de anos

“Ele observa-a da mesa, fazendo um esforço por dar um nome àquela cara”
Por:Tiago Rebelo, Escritor (breveshistorias@hotmail.com)
2011.12.04
Ela sai da pastelaria com uma caixa de cartão. Leva o bolo de anos da filha. Vai furiosa, porque o pai da criança lhe telefonou a dizer que está a trabalhar no Porto. Vai falhar-lhe outra vez e deixar a miúda tristíssima.
Ele vai tomar um café antes de ir buscar o filho à mãe. Acordou um pouco mais tarde por ser sábado e ter a manhã só para si.
À saída, com as duas mãos a segurarem a caixa do bolo, ela empurra a porta com as costas e volta-se de rompante para evitar a porta a fechar. Nesse instante, choca de frente com ele, que vai a entrar e não a consegue evitar. Os seus corpos entalam a caixa. Na atrapalhação, ele recua e a caixa escapa das mãos dela. Tentam ambos apanhá-la no ar, mas tarde demais.
Ela agacha-se, de cócoras. Ele também. Ela abre a caixa e contempla desolada o bolo, completamente desfeito. Só lhe apetece chorar. Subitamente, cai-lhe sobre os ombros todo o peso dos últimos meses: a separação, o difícil processo de divórcio, as dificuldades com a filha que se sente abandonada pelo pai... é como se a sua vida estivesse representada no interior daquela caixa.
Nada lhe corre bem e tem a convicção de que nunca mais conseguirá recuperar a felicidade de outrora. Ele tenta ajudá-la, mas ela enxota-o com maus modos, descarregando nele a sua frustração. Ele retira as mãos, abertas em sinal de rendição, ergue-se, entra na pastelaria, vai sentar-se a uma mesa. Ela pega na caixa, dirige-se ao balcão na esperança de remediar o irremediável, mas o empregado diz-lhe que não será possível fazer outro bolo a tempo da festa.
Ele observa-a da mesa, fazendo um esforço para dar um nome àquela cara. Tem a certeza de que a conhece, mas não se lembra de onde. Ela rende-se, vai levar o bolo e tentar compô-lo em casa. Quando sai, ele lembra-se de repente e fica ainda mais atrapalhado.
As crianças brincam pela casa, em cima da mesa da sala de jantar está um triste bolo de anos, uma espécie de ruína doce. Tocam à campainha, ela acompanha a filha à porta, abre-a e ali está ele, o homem com quem chocou na pastelaria. Tem uma caixa na mão e o filho ao lado. Ele sorri-lhe, ela sente-se corar, leva uma mão à boca. Trouxemos um bolo novo, diz ele, entregando-lhe a caixa. Ela recebe-a, envergonhadíssima, convida-o a entrar.
Ele acaba por ficar na festa. É prestável e divertido, ajuda-a na animação, a tirar fotografias. No fim, a sós, descansam na sala enquanto os filhos brincam no quarto. Ele diz que é tarde, ela pede-lhe que fiquem para jantar. No final da noite, quando se vão embora, ela fecha a porta da rua com um sorriso nos lábios a ponderar o jantar a dois que combinaram e a pensar que, afinal, a vida não é assim tão má.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Tempo e Poesia - Andréa Freire


Tempo e Poesia


Se você fizesse um filme sobre sua vida, que momentos escolheria? Das fotos guardadas, quais ganhariam movimento na tela? 


O vídeo abaixo utilizou mais de mil fotografias para contar a vida de um homem, da infância à maturidade. Vale a pena assistir, não apenas pela tecnologia utilizada, mas para refletir sobre a própria história e resgatar da memória os momentos bons que foram esquecidos! 



Inspirada no vídeo, escrevi a poesia abaixo. E você, como se relaciona com o tempo?

"Tempo
Atrasa as horas
Avança os dias
Mas não se rende
Aos caprichos dos cabelos
Ao apelo do sorriso
Não entrega os ponteiros
Para o coração aflito

Corre o tempo
Atravessa pontes
Desvenda segredos
Ilumina chegadas
Consola desencantos
Determina a verdade
Entrega a mentira
Embala sonhos
Desfaz planos

Tempo
Criança solta no vento
Olhos descansando no horizonte
Sem idade
Finito
Primeiro choro
Último suspiro
Infinito
Viver
Tempo"


IMAGEM POÉTICA


"Existem vários caminhos para o mesmo destino".
Foto e frase de Rodrigo Moura

Tenha um bom fim de semana! E conceda a si mesmo o melhor do seu tempo...

Abraço, até breve.

Andréa Freire

Ilusionismo Quadrilátero

ILUSIONISMO
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* Victor Nogueira .
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Ele há um tempo p’ra tudo na vida
Cantando hora, minuto, segundo;
Por isso sempre existe uma saída
Enquanto nós estivermos neste mundo.
.
Há um tempo para não fenecer
Há mar, sol, luar e aves com astros
Há uma hora p'ra amar ou morrer
E tempo para não se ficar de rastos.
.
P'ra isso e' preciso sabedoria
Em busca dum bom momento, oportuno,
Com ar, bom vinho, pão e cantoria,
Sem se confundir a nuvem com Juno.
.
1991.08.11 - SETUBAL