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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Ingmar Bergman ~ Música na Noite


CINEBULIÇÃO

01/03/2011

Música na Noite



por Luiz Santiago


     Primeiro sucesso comercial de Bergman, seu quarto filme e sua entrada definitiva na Svensk Filmindustri, Música na Noite destacou-se melhor que as outras três películas do diretor, mas não é necessariamente melhor dirigido que Um Barco Para a Índia, por exemplo. O ganho principal dessa quarta obra do mestre sueco está no plano técnico, e é impossível não lembrar da cena de abertura, quando a personagem de Bengt (Birger Malmsten, numa interpretação excepcional) sobrevive ao acidente e se dá conta de que está cego. Os pesadelos e a indicação da perturbação e transformação psicológica da personagem passa pelo fantástico e inusitado, destoando do restante do filme, mas com um resultado primoroso.

     O roteiro, que é uma adaptação do romance de Dagmar Edqvist, apesar de se desenvolver de maneira correta, não ultrapassa essa linha da normalidade. O filme conta com momentos políticos, em trechos literários e personagens socialistas; musicais, com a reprodução de peças de Chopin, Beethoven e Badarzewska Baranowska; e neorrealistas, com destaque para a sequência de Bengt na linha do trem, cena de um tom puramente rosselliniano. Esse desenvolvimento apenas correto da história central, apesar de emocionar bastante, não consegue sustentar as várias pequenas narrativas que se apresentam no meio do caminho, e chega a deixar pontas não amarradas na história. Tudo caminha para o desfecho do final feliz, e só não torna o filme medíocre, porque o tratamento de Bergman dado às cenas que filma, junto ao uso dramático e sugestivo da música, consegue dar um bom ritmo e uma boa adequação ao produto final.


     É interessante perceber como em cada filme de sua primeira fase, Bergman se tornava cada vez mais icônico. Se em Um Barco Para a Índia ou Chove Sobre Nosso Amor, já tínhamos o uso de elementos do cenário como indicadores de sentimentos ou dramas particulares, em Música na Noite, os objetos do cenário funcionam como uma introdução à atmosfera da cena, e são usados em grande quantidade até o meio do filme. Um anjo com uma trombeta, um prato com espinhas de peixe, um cômodo vazio, são exemplos de que Bergman já criava a sua cartilha de símbolos.

     A fotografia de Göran Strindberg também segue uma tendência neorrealista, deixando mais o cenário falar por si do que tentando pintar com a luz as diversas nuances dramáticas daquele espaço. Diferente dos outros dois filmes que trabalhou com Bergman, em Música na Noite, o fotógrafo opta por uma atmosfera mais lúgubre, abusa das sombras e névoas, deixa até um ar meio noir em tomadas noturnas e externas, sequências muito bonitas de se ver.


     O romance dirigido por Bergman em Música na Noite não termina bem. O filme apresenta um avançado domínio técnico, uma tendência ao experimentalismo e o início das convenções do cinema do diretor, mas o seu produto fechado não é tão primoroso quanto o público julgou à época, enchendo as salas de cinema. Embora funcione relativamente bem, penso que o desfecho da história está aquém daquilo que conhecemos como “final bergmaniano”. A confirmação disso vem quando lemos algumas entrevistas do diretor apontando Lorens Marmstedt, o produtor da fita, como o principal “podador” do filme, fazendo o iniciante realizador curvar-se às imposições do Estúdio. Mesmo assim, temos um romance incomum e muito profundo em Música na Noite. O plano técnico é de fato o grande destaque do filme, mas não se pode deixar de perceber a rigorosa direção de atores e o cuidado extremo com a composição dos quadros. Sensível e emocionante, Música na Noite é um hino à vida, à superação das dificuldades, e ao amor.


MÚSICA NA NOITE (Musik i Mörker, Suécia, 1948).
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Mai Zetterling, Birger Malmsten, Olof Winnerstrand, Bibi Skoglun, Hilda Borgström, Gunnar Björnstrand, Douglas Hage.




Sinopse:Um dos melhores filmes da fase inicial do diretor Ingmar Bergman. Um jovem pianista fica cego em um acidente durante o serviço militar. Aos poucos, ele se adapta à nova condição, mas desenvolve um complexo de inferioridade devido à compaixão que o rodeia. Sua vida ganha um novo sentido quando conhece Ingrid, uma órfã que trabalha como empregada doméstica. Música na Noite é um romance dirigido com muita sensibilidade e leveza por Bergman e conta com uma grande atuação de Birger Malmsten (Um Barco para a Índia) no papel principal..


Título: Música na Noite, de Ingmar Bergman
Título Original: Musik I Mörker
Direção: Ingmar Bergman
Elenco: Mai Zetterling, Birger Malmsten, Olof Winnerstrand, Naima Wifstrand, Bibi Skoglund, Hilda Borgström, Douglas Håge, Gunnar Björnstrand, Bengt Eklund
Ano de Produção: 1948
Duração: 86 minutos
Cor: Preto e Branco
Tipo de Diálogo: Adulto
Formato da Tela: Fullscreen 1.33:1
Gênero: Drama
Faixa Etária: 14 anos
País de Produção: Suécia
Legenda: Português
Idioma: Sueco

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ingmar Bergman: La hora del lobo · Vargtimmen · The Hour of the Wolf (1968)


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Enviado por  em 01/09/2006
Trailer for Ingmar Bergman's "Hour of the Wolf"





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Enviado por  em 25/08/2007
Mágica escena de la película "La hora del lobo"

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Enviado por  em 28/09/2007
univers entremélés de Bergman et Pink floyd

terça-feira, 20 de julho de 2010

Autumn Sonata (Herbstsonate, 1978) e peça de teatro Ingmar Bergman

 Chopin Prélude op 28 nr 2 from Autumn Sonata



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MagicWorksofBergman | 14 de Dezembro de 2008
U.S. trailer for Ingmar Bergman's Autumn Sonata (Herbstsonate, 1978).
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Conjecturas | 3 de Agosto de 2009 - A sexta das dez lições sobre Bergman
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livedvfilm | 15 de Janeiro de 2008
Trailer 2min e 06seg - Peça de teatro no Teatro de S. Luís - Lisboa
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livedvfilm | 15 de Janeiro de 2008
DEMO da peça gravada no Teatro São Luiz em Lisboa
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wolfofsea73 | 9 de Abril de 2008 - Sergei Yerokhin plays Chopin Prelude Op.28, No.2 
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capetond | 10 de Janeiro de 2009 - Claudio Arrau Chopin Prelude Op . 28 No. 2
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segunda-feira, 20 de julho de 2009


Fala de filme: Sonata de Outono - Ingmar Bergman


Falas da personagem Eva (Liv Ulmann)

"É preciso aprender a viver. Eu pratico todo dia. Meu maior obstáculo é não saber quem sou. Se alguém me ama como eu sou, posso finalmente ter a coragem de olhar para mim mesma. Essa possibilidade é pouco viável."

No ser humano existe tudo, do mais elevado até o mais baixo.
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O homem é a imagem de DEUS e DEUS existe em tudo.
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E assim o ser humano foi criado, mas também os demônios, os santos, os profetas, os artistas e os iconoclastas. Tudo existe lado a lado. É como se fossem desenhos gigantes mudando o tempo inteiro. Da mesma maneira, devem existir inúmeras realidades.
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Não apenas a realidade que percebemos com nossas obtusas sensibilidades, mas um tumulto de realidades arqueando-se uma em cima da outra, por dentro e por fora.
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É só o medo e o puritanismo que nos leva a acreditar em limites. Não existem limites, nem para pensamentos nem sentimentos. A ansiedade é que estabelece limites. Quando se toca o movimento vagaroso...

PS: Esse filme é muito intenso, e para mim, o melhor do Bergman, eu considero-o o cineasta-analista, ele trabalha muito com o lado psicológico do ser humano. Os cenários são sempre claustrofóbicos, dentro de casas fechadas ou escuras, os diálogos muito intensos, sempre toca na ferida, os personagens são sensíveis e há uma explosão de sentimentos que por alguma necessidade foram abafados durante um tempo e de uma hora para outra sente-se a necessidade de colocá-los para fora. A interpretação da Liv está impecável 
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- Blog Organizando o Caos
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SONATA DE OUTONO
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O histórico encontro de Ingmar Bergman com Ingrid Bergman num filme que é um portentoso exercício de representação
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Num presbitério de província, Eva escreve uma carta à sua mãe, Charlotte, uma pianista profissional que não vê há sete anos. A mãe chega e, após os primeiros momentos de afectividade, o encontro das duas mulheres muda de tom. Eva e Charlotte começam por discutir sobre a presença de Helene, a irmã mais nova e doente de Eva, que Charlotte não esperava encontrar em casa da filha. Depois, ao piano, mãe e filha voltam a confrontar-se sobre um prelúdio de Chopin, onde a mãe impõe a sua superioridade e virtuosismo. Eva lança-lhe várias acusações e Charlotte toma, inesperadamente, consciência da sua incapacidade afectiva em relação às filhas.
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Com "Sonata de Outono" o mestre Bergman regressa a temas dominantes na sua obra, como é o caso dos dolorosos confrontos no feminino. Neste caso, entre uma mãe e uma filha que se envolvem numa longa noite de acusações, revelações e amargura. Uma noite de insónias que explode num turbilhão de amor, ódio, desprezo e ternura. Uma longa noite de ajuste de contas emocional que Bergman filma com sufocante rigor, a que a violência verbal acrescenta um estranho e fascinante suspense. Uma admirável realização de Bergman que volta a deter-se no rosto, no olhar e nos gestos de duas mulheres, juntas numa longa jornada através da noite, através da alma e sobre as suas amargas memórias. Tudo isto, servido pela magistral fotografia de Sven Nykvist e, sobretudo, pelo histórico encontro do mais célebre cineasta sueco de sempre com a maior vedeta sueca de todos os tempos, que voltava a representar na sua língua materna pela primeira vez em quarenta anos. Bergman dirigindo Bergman e Liv Ullmann num portentoso desafio de representação.

GÉNERO:
Filmes - Drama
INFORMAÇÃO ADICIONAL:
Maiores de 12
FICHA TÉCNICA:
Duração: 89m (cor)
Produção: Katinka Farago
Realização: Ingmar Bergman
Autoria: Ingmar Bergman
Fotografia: Sven Nykvist
Música: Chopin, Bach e Händel
Tit. Original: «AUTUMN SONATA / HÖSTSONATEN»
Origem: Suécia/Alemanha - 1978
Classific.: M/12
Com: Ingrid Bergman, Liv Ullmann, Lena Nyman, Halvar Bjorn, Gunnar Bjornstrand, Erland Josephson, Linn Ullmann, Kmut Wigert, Georg Lokkeberg, Arna Bang-Hansen.
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Cartaz Sonata de Outono
TEATRO
2 A 25 NOV

SONATA DE OUTONO

de INGMAR BERGMAN
SALA PRINCIPAL M/16
Quarta a Sábado às 21h00; Domingo às 17h30

Sinopse

SESSÃO COM INTERPRETAÇÃO EM LÍNGUA GESTUAL PORTUGUESA
18 NOV
Domingo às 17h30
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O instinto maternal é uma mentira ou Sonata de Outono. Mãe e filha encontram-se depois de sete anos de separação. A mãe, Charlotte, é uma pianista mundialmente famosa, já sexagenária e ainda no auge da sua carreira. Uma mulher capaz de interpretar as mais delicadas composições de Chopin ou Beethoven, mas sempre incompetente ao tentar interpretar a própria filha, Eva. A Eva nenhuma palavra ou gesto lhe passou despercebida ao longo da sua vida, especialmente se estas palavras e gestos vieram da mãe. Considera-se “filha de uma mãe que nunca fica frustrada, decepcionada ou infeliz”, definição que, mesmo irónica, a marcou para sempre, uma vez que Charlotte lhe impôs doses equivocadas de felicidade e segurança. Casada com Viktor, um pastor protestante passivo e observador, ela vê o marido como um amigo, sendo, como é, incapaz de acreditar no amor. Helena, a irmã mais nova, sofre de uma doença degenerativa, o que afastou sempre de si a mãe. Neste regresso, Charlotte é obrigada a confrontar-se com o facto de as duas irmãs viverem juntas. Bergman destrói a convenção das relações afectuosas entre mães e filhas. A dor é a personagem central deste huis-clos que nos sufoca pela sua dureza.
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FICHA ARTÍSTICA
Texto Ingmar Bergman
Tradução Fernanda Lapa e Jonas Omberg
Encenação Fernanda Lapa e Cucha Carvalheiro
Cenografia e Figurinos António Lagarto
Desenho de Luz Mário Bessa
Selecção Musical Nuno Vieira de Almeida
Elocução Luis Madureira
Assistência de Figurinos Catarina Varatojo
Assistência de Cenografia Pedro MiraInterpretação Fernanda Lapa, Ana Bustorff, Virgílio Castelo e Marta Lapa
Co-produção: SLTM ~ Escola de Mulheres-Oficina de Teatro
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Ilusionismo Quadrilátero

ILUSIONISMO
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* Victor Nogueira .
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Ele há um tempo p’ra tudo na vida
Cantando hora, minuto, segundo;
Por isso sempre existe uma saída
Enquanto nós estivermos neste mundo.
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Há um tempo para não fenecer
Há mar, sol, luar e aves com astros
Há uma hora p'ra amar ou morrer
E tempo para não se ficar de rastos.
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P'ra isso e' preciso sabedoria
Em busca dum bom momento, oportuno,
Com ar, bom vinho, pão e cantoria,
Sem se confundir a nuvem com Juno.
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1991.08.11 - SETUBAL