Tempo em Setúbal

Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Memórias. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

António Sousa Homem ~ Do mês de Fevereiro às regras de vestuário


Correio da Manhã
Em certos aspectos

Do mês de Fevereiro às regras de vestuário

“Os ‘cardigans’ do velho doutor Homem, meu pai, eram famosos quer no escritório quer em casa, usados no recato do seu ambiente de trabalho ou de recolhimento”
Por:António Sousa Homem

Todos os anos Fevereiro traz a chuva, o frio e o Entrudo. A máxima não é popular, mas aplica-se com propriedade a um mês tão cheio de susceptibilidades. A falar verdade, o Inverno verdadeiro, o Inverno de nome e renome, é o de Fevereiro, quando despontam – muito ao largo, muito ao longe – as primeiras ameaças de um desejo de Primavera. Só essa condição permite que um mês mais curto pareça verdadeiramente longo e interminável.
O velho Doutor Homem não gostava de Fevereiro e atribuía--lhe os defeitos do Entrudo, do Inverno e do frio – antes que chegasse a sua bem amada "meia estação", o período em que um dândi à sua medida poderia usar o guarda-roupa mais sofisticado de todos os alfaiates da Baixa portuense. Penso nisso por causa do cinema. Periodicamente, em noites que começam mais cedo, aproveito para rever alguns filmes que recordo da minha idade adulta ou da minha juventude (ambas se misturam com muita bonomia, uma vez que a família pensa que nunca tive juventude).
Nessa altura, filmes dos anos quarenta e dos anos cinquenta, ou da primeira metade dos anos sessenta, os actores vestiam razoavelmente bem. Não era necessário frequentar Saville Row para o perceber. As fotografias de família ou os retratos de rua mostravam sempre um certo rigor no vestuário que, depois, desapareceu com a informalidade, as democracias e as estrelas do ié-ié.
Vestir "com certa razoabilidade" era uma regra seguida nesta velha família de advogados portuenses e de minhotos convertidos à parcimónia. As regras eram flutuantes, mas apreciáveis, com uma série de imposições para cada ocasião, para cada hora do dia e para cada estação do ano.
Os ‘cardigans’ do velho Doutor Homem, meu pai, eram famosos quer no escritório quer em casa, usados no recato do seu ambiente de trabalho ou de recolhimento; mas nada nos impressionava tanto (éramos três rapazes atrevidos e vaidosos) como aquele cuidado ligeiro que fazia dele tanto um mestre de Cambridge (onde ele teve a ilusão de poder ter vivido, se fosse o inglês que nunca chegou a ser) como um boémio de Paris (o que acredito que chegou a ser). O Porto manteve sempre essa correcção que estava longe de ser considerado um acto de vaidade mas, pelo contrário, de respeito pela rua e pelos concidadãos, que não nos viam em chinelos e roupa por engomar.
Nesses filmes de outrora, funcionários discretos ou gente rica da América vestiam com uma elegância que ainda hoje me distrai da própria história que o filme conta. Todos sabemos que o hábito não faz o monge, mas ajuda bastante.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Balada da Despedida - Fernando Machado Soares


.
Enviado por em 11/04/2007

.


.

Enviado por em 24/12/2009
Todas as letras de músicas de Fernando Machado Soares..
.
.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

Que as lágrimas do meu pranto
São a luz que me dá vida.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

Quem me dera estar contente
Enganar minha dor
Mas a saudade não mente
Se é verdadeiro o amor.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

Não me tentes enganar
Com a tua formosura
Que para além do luar
Há sempre uma noite escura.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

Que as lágrimas do meu pranto
São a luz que lhe dá vida.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.
Coimbra tem mais encanto
Na hora da despedida.

.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Um pouco de Nazim Hikmet

Confraria da Feira Quero-Quero
Foto de Rafael Cabral Cruz

SÁBADO, 7 DE MAIO DE 2011


Um pouco de Nazim Hikmet

Era  tempo de estudo, estava na faculdade e me mudara para uma casa conjugada próxima ao campus da FURG, no centro da cidade de Rio Grande. Às vezes era insuportável a poluição da Refinaria que ficava próxima. Naquela casinha, morava com o estudante de Direito Flávio Xavier, que havia voltado de uma estada na Patrice Lumumba em Moscou. Entre as relíquias que trouxe de lá estava um livro com a tradução para espanhol de um poeta turco, desconhecido para nós, mas que havia escrito poemas que tocavam profundamente o nosso ser. Este poeta era Nazim Hikmet. Revolucionário, foi perseguido e preso em seu país e acabou vivendo a maior parte de sua vida no exílio e na prisão. Nazim Hikmet nasceu em 1901 e faleceu em 1963, quando nasci. Seguem dois poemas do grande poeta turco.

Nazim Hikmet


Carta para Minha Mulher


Quero morrer antes de você.
Você acha que aquele que vai depois
encontra o que foi primeiro?
Eu acho que não.
O melhor seria me cremar
e me colocar num vaso
sobre o aparador de sua lareira.
E garanta que o vaso
seja cristalino,
assim você pode me ver lá dentro…
pode ver meu sacrifício:
desisti de ser terra,
desisti de ser uma flor,
para ficar somente junto a você.
E eu me tornei pó
para viver contigo.
Assim, quando você morrer,
você pode entrar aqui no meu vaso
e então viveremos juntos,
suas cinzas com as minhas,
até que uma noiva tonta
ou um neto rebelde
nos jogue fora…
Mas
a essa altura
já estaremos
de tal forma
misturados
que mesmo vertidos nossos átomos
cairão lado a lado.
Mergulharemos na terra juntos.
E se um dia uma flor selvagem
encontrar água e brotar desse pedaço de terra,
sua haste terá
por certo dois botões:
um será você,
o outro, eu.

Não é que eu
esteja para morrer.
Quero criar ainda outro filho.
Estou cheio de vida.
Meu sangue é quente.
Viverei ainda muito, muito tempo -
ao teu lado.
A morte não me mete medo,
apenas não consigo sentir especial atração pelos preparativos
de nosso funeral.
Mas tudo isso pode mudar
antes que eu esteja morto.
Alguma chance de que você saia logo da prisão?
Algo dentro de mim me diz:
Talvez.


Noite de Outono



Nesta noite de outono
estou pleno de tuas palavras
palavras eternas como o tempo,
palavras pesadas como a mão,
cintilantes como a estrela.
Da tua testa, da tua carne
Do teu coração...
Sinto-me junto das tuas palavras
as tuas palavras carecem de ti
As tuas palavras, mãe
As tuas palavras, amor
As tuas palavras, amiga
Era triste, amar
Era alegre, plenas de esperança
Era corajoso, heróico
As tuas palavras..
eram homens...



sábado, 26 de março de 2011

A chegada da Primavera - Alice Vieira


2011-03-25

Tenho a casa cheia de lírios. Acontece que os lírios e eu nunca fomos amigos íntimos. Para mim, lírios eram apenas aquela flor que costumava entrar sempre nas histórias do Zé Gomes Ferreira, à mesa do Monte Carlo (que então nem sonhava que um dia viria a chamar-se Zara).
.
Na sua juventude, o Zé Gomes Ferreira tinha publicado uma colectânea de bucólicos poemas, a que chamara "Lírios do monte". Anos mais tarde, num passeio ao campo com um amigo, umas flores chamaram-lhe a atenção: "que bonitas! Que flores serão aquelas?" E o amigo respondeu: "então, são os lírios do monte de que tu falaste tanto no teu livro..."
.
O Zé Gomes contava isto muitas vezes, e ria muito, e nós ríamos com ele, e ele dizia-me, a mim, jovem a tentar entrar naquele mundo privilegiado, "nunca escrevas sobre aquilo que não conheces! Lembra-te sempre da vergonha dos meus lírios...".
.
Foi lição que nunca esqueci.
.
Mas voltando aos lírios.
.
Sempre me pareceram flores tristes, daquelas que se mandam para aos funerais, tombando ao peso das faixas de "saudade eterna".
.
Por isso quando há dias cheguei a casa e encontrei à minha porta um ramo gigantesco de lírios - os meus vizinhos são gente honesta, nunca me roubam as flores que tantas vezes se estendem pelo patamar à minha espera...- até me senti mal.
.
Mas as palavras do amigo que as mandara reconciliaram-me com elas. Garantia ele - que sabe tudo sobre flores, e tem o dom de adivinhar quando eu preciso delas mais que de remédios - que os lírios são as flores da Primavera.
.
E rematava:
.
"És como o Zé Gomes. Não percebes nada de lírios"
.
E ali fiquei, parada no patamar, os lírios aos meus pés, chaves na mão e a tentar atinar com a fechadura, e a rir como há muito tempo não ria - e o meu riso a misturar-se com o riso do Zé Gomes, de repente tão vivo, e com o riso do Carlos, e com o riso do Mário, e com o riso do Abelaira, e com o riso de todos nós à mesa do Monte Carlo.
.
Todos, de repente, tão vivos.
.
E foi assim que a Primavera entrou, finalmente, em minha casa.

domingo, 6 de março de 2011

O tempo a várias vozes (2)


.
De: | Criado: 13/03/2010
Uma das melhores cancões de sempre, da Música Portuguesa... - Um Poema de Ary dos Santos e a Música de Nuno Nazaré Fernandes. - Imagens/Filme/Video: jcg.musica@gmail.com - Voz - Jorge Ganhão - Gravação: "Tâmara" Studio - Évora - Arranjos e piano: José Liaça  - 13 de Março de 2010
.
Canção de Madrugar - Ary dos Santos
.

Canção de Madrugar

De linho te vesti
De nardos te enfeitei
Amor que nunca vi
Mas sei


Sei dos teus olhos acedos na noite
Sinais de bem despertar
Sei dos teus braços abertos a todos
Que morrem devagar
Sei meu amor inventado um dia
Teu corpo há-de acender
Uuma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer

Irei beber em ti
O vinho que pisei
O fel do que sofri e dei
Ddei do meu corpo chicote de força
Rasei meus olhos com mágoa
Dei do meu sangue uma espada de raiva
E uma lança de mágoa
Dei do meu sonho uma corda de insónias
Cravei meus braços com setas
Descobri rosas, alarguei cidades
E construí poetas

E nunca te encontrei
Na estrada do que fiz
Aamor que não logrei
Mas quis

Sei meu amor inventado que um dia
Tteu corpo há-de acender
Uuma fogueira de sol e de fúria
Que nos verá nascer
Então:

Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem feras, nem ferros, nem farpas, nem farsas,
Nem forcas, nem cardos, nem dardos, nem terras,
Nem choros, nem medos, nem uivos, nem gritos,
Nem pedras, nem facas, nem fomes, nem secas,
Nem terras, nem ferros, nem farpas, nem farsas
Nem MAL


Letra: José Carlos Ary dos Santos
Música: Nuno Nazareth Fernandes
.
.
http://omundodaxupica.blogspot.com/2009/03/cancao-de-madrugar.html
.
.

Chuvas De Verão - Orlando Silva o Rei da Voz

.
.
Incorporação desactivada por pedido
De: | Criado: 05/02/2009
A obra de Fernando Lobo - ex-violinista da legendária Jazz Band Acadêmica de Pernambuco - pertence a uma fase importante da música brasileira, a fase dos sambas-canção de mesa de bar.
.
Renomado cronista do Rio, Fernando e seus companheiros de boemia, como Ary Barroso e Antônio Maria, colheram inspiração para muitas de suas músicas na efervescente vida noturna que levavam. Essa vivência boêmia era, pode-se dizer, um prolongamento das atividades jornalísticas, suas e de outras figuras da noite, como Sérgio Porto, Rubem Braga, Paulo Mendes Campos e Lúcio Rangel. "Chuvas de Verão" reflete esse clima de confissões que prolongavam ou encerravam romances iniciados no ambiente das boates.

Lançada por Francisco Alves em 1949, talvez jamais se tornasse um clássico (isso era reconhecido pelo próprio Fernando), não fora a versão de Caetano Veloso, quase vinte anos depois. Naturalmente, a beleza da composição sempre existiu, mas Caetano soube aproveitar melhor o clima do rompimento amoroso, com uma delicadeza de tratamento que faltou à gravação original. Composta no modo menor (uma característica dos frevos-de-bloco do Recife, onde nasceu o autor), a canção tem seu momento culminante no verso que repete o título, definindo com lirismo e precisão a transitoriedade dos romances de ocasião.


Chuvas De Verão (Samba, 1949) - Fernando Lobo, interpretado aqui pelo cantor das multidões Orlando Silva, o Rei da Voz.

(...)
__________________________________
Curiosidade: Este vídeo foi gravado em 08 de outubro de 1973. Miranda e seu Regional acompanham Orlando Silva.

(Arquivo Raíssa Amaral & Professor Sergio Napoleão Belluco - Piracicaba / SP - Brasil)
  

.
De: | Criado: 16/09/2009
não existe nenhuma descrição disponível
Chuva de Verão -  Caetano Veloso 
.
Lyrics to Chuvas De Verão :
.
.
Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, do presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
Nada mais

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser amigos simplesmente
Coisas do amor nunca mais
Amores do passado, do presente
Repetem velhos temas tão banais
Ressentimentos passam como o vento
São coisas de momento
São chuvas de verão

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
E nada mais

Podemos ser
Amigos simplesmente
Amigos, simplesmente
Nada mais

Trazer uma aflição dentro do peito
É dar vida a um defeito
Que se extingue com a razão
Estranha no meu peito
Estranha na minha alma
Agora eu tenho calma
Não te desejo mais

(Thanks to Rafael for these lyrics)

[ These are Chuvas De Verão Lyrics on http://www.lyricsmania.com/]
http://www.lyricsmania.com/chuvas_de_verao_lyrics_caetano_veloso.html

.
.
De: | Criado: 04/02/2008
CLIP DA MÚSICA RITMO DA CHUVA NA VOZ DE JOSÉ AUGUSTO.
.

Olho para a chuva que não quer cessar
Nela vejo o meu amor
Essa chuva ingrata que não vai parar
Pra aliviar a minha dor
Eu sei que o meu amor pra muito longe foi
Com a chuva que caiu
Levando a alegria do meu coração
E ele nunca mais sorriu
Chuva traz o meu benzinho
Eu preciso de carinho
Diga a ela pra não me deixar triste assim
O ritmo dos pingos ao cair no chão
Só me fazem recordar
Tomara que eu não fique a esperar em vão
Por ela que me faz chorar.
.
.
http://www.lyricstime.com/jos-augusto-ritmo-da-chuva-rhythm-of-the-rain-lyrics.html
.
.
.
De: | Criado: 22/11/2008 - Sábado - José Augusto
.
.
Todo sábado é assim
Eu me lembro de nós dois
É o dia mais difícil sem você
Outra vez os amigos chamam
Prá algum lugar
Outra vez
Eu não sei direito
O que eu vou falar...

Quero explodir por dentro
Inventar uma paixão
Qualquer coisa
Que me arranque a solidão
Um motivo prá não ficar
Outra noite assim
Sem saber se você vai
Voltar prá mim...

Eu já tentei
Fiz de tudo prá te esquecer
Eu até encontrei prazer
Mas ninguém faz como você
Quanta ilusão
Ir prá cama sem emoção
Se o vazio que vem depois
Só me faz lembrar de nós dois...

Quero explodir por dentro
Inventar uma paixão
Qualquer coisa
Que me arranque a solidão
Um motivo prá não ficar
Outra noite assim
Sem saber se você vai
Voltar prá mim...

Eu já tentei
Fiz de tudo prá te esquecer
Eu até encontrei prazer
Mas ninguém faz como você
Quanta ilusão
Ir prá cama sem emoção
Se o vazio que vem depois
Só me faz lembrar de nós dois...(2x)
  .
.
http://www.justsomelyrics.com/2040667/Jose-Augusto-Sabado-Lyrics
.
.
.
.


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Meu Século - Günter Grass


Mulher portuguesa

Home

Günter Grass: A aposta que Saramago ganhou

O Centro Cultural de São Lourenço, em Almancil, inaugura hoje “O Meu Século”, uma exposição de aguarelas que acompanham o mais recente livro de Gunter Grasss, com o mesmo título. Ao contrário do previsto, o Nobel da Literatura não vai estar presente. 
.
É a primeira exposição de Gunter Grass em Portugal, desde a atribuição do Prémio Nobel da Literatura 1999. 
.
Um mês depois do anúncio da Academia Sueca, o Centro Cultural de São Lourenço, em Almancil, no Algarve, inaugura "O meu século". Para ver até 17 de Dezembro, a exposição mostra as aguarelas que fazem parte do seu livro mais recente, "O meu século" que ainda não tem edição em Portugal. Uma oportunidade para conhecer melhor a pintura de um autor multifacetado, que sucedeu a José Saramago, no Prémio Nobel da Literatura. 
.
Ao contrário do que chegou a estar previsto, Gunter Grass não vai estar presente na inauguração. Motivos de saúde levaram-no a cancelar a visita a Portugal, para abrir mais uma exposição no Centro Cultural com o qual colabora há cerca de 15 anos. Pra já, a passagem do Nobel por Portugal fica apenas prometida para muito breve. 
.
O Nobel para Gunter Grass deixou José Saramago, o antecessor, particularmente satisfeito. Afinal, dele partiu a proposta do nome de Grass para o maior prémio mundial de Literatura. 
.
Sem a presença do autor, o Centro Cultural de São Lourenço, em Almancil, é, mais uma vez, cenário para uma exposição de Gunter Grass. Apaixonado por Portugal e, muito particularmente, pelo Algarve, o Nobel da Literatura volta a expôr, num dos seus recantos favoritos. Desta vez, pode ver as aguarelas que acompanham a sua mais recente obra literária. 
.
Ainda sem edição portuguesa, "O Meu Século" está dividida em 100 capítulos, um para cada ano. Cada um conta uma história de um acontecimento que, de alguma forma, tenha marcado o ano em questão. Cada aguarela é uma visão pictórica desse acontecimento. Mas nem todos os anos, têm direito a aguarela. O autor escolheu os 37 que considerou emblemáticos, representativos da realidade do século, no seu conjunto. 
.
A 30 de Setembro, a Academia Sueca anunciava o Nobel da Literatura para Gunter Grass. Explicava, então, que "os argumentos folgazões e divertidos (de Gunter Grass) tão bem representam a face esquecida da História". Ao autor alemão, a Academia atribuía uma imensa responsabilidade por um certo "renascer da literatura alemã, depois de décadas de destruição moral e linguística".
.
A obra literária de Gunter Grass começou em 1959, com a publicação de "The Tin Drum".
.
E na obra de Gunter Grass, há um refúgio algarvio que traz novos horizontes à criação do artista. No cimo de um monte, há mais de uma década que o autor procura inspiração na casa que desenhou e construiu, bem no centro do serra do Algarve. Ali, rodeado pelo silêncio da natureza, entrecortado apenas pelo ruído dos animais, velhos amigos do escritor que sucedeu a José Saramago, na lista dos laureados
.
Uma escolha que deixou Saramago particularmente satisfeito. Com ele, Gunter Grass partilha uma atenção muito especial à sociedade actual. Na obra de ambos, não passa despercebida a crítica dos valores da Humanidade. 
.
E foi de Saramago, precisamente, que partiu a proposta do nome de Grass para o maior prémio mundial de Literatura. Uma aposta feita pouco depois de o próprio Saramago ter sido galardoado com o Nobel 1998.
.
Em finais de Outubro do ano passado, o Nobel português falou, pela primeira vez, na hipótese de avançar com o nome do alemão para o prémio deste ano. No início de Dezembro, quando recebeu o Prémio, em Estocolmo, Saramago formalizou a proposta. 
.
Desde sempre, José Saramago foi um admirador da obra de Gunter Grass. Durante a década de 60, o escritor português trabalhava precisamente na editora que publicou as primeiras obras de Grass, em Portugal. Aos 72 anos, este "homem de todas as artes" vê a sua obra coroada com o maior prémio mundial de Literatura. 
.
.
http://www.mulherportuguesa.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1856&catid=204&Itemid=3859
.



 

Meu Século
Günter Grass
Crônicas   336 páginas
Tradução de Irene Aron
Formato: 16x23
ISBN: 850105822X

Pesquise títulos desta editora no Mercado Livre

MEU SÉCULO, novo livro do vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 1999, Günter Grass, é uma obra intrigante. Metade ficção, metade memória, MEU SÉCULO é uma perfeita despedida para o século XX.
.
Cada capítulo corresponde a um ano do século e, para cada ano, Grass selecionou uma história diferente, um acontecimento pequeno ou grandioso e um narrador distinto para cada um destes momentos.
.
Os breves textos de MEU SÉCULO vão de 1900 a 1999 e todos foram escritos na primeira pessoa. A intenção de Grass é construir um mosaico da história germânica do século XX, através das vozes dos seus diferentes participantes. Então, de acordo com a imaginação do autor, o narrador ora é um trabalhador desempregado, ora uma adolescente problemática, ora um guarda de campo de concentração nazista, ora um senador da cidade de Hamburgo.
.
A centena de personagens dos dois sexos, de todas as idades e condições sociais, constitui uma pequena comédia humana, onde o romancista pode exercitar todas as faces do seu talento. Vez ou outra, o narrador é o próprio Günter Grass, evocando memórias pessoais, como mais um dos atores e espectadores obscuros do século que chega ao fim.
.
Nascido em Danzig (atual Gdansk) em 1927, Günter Wilhelm Grass passou a se dedicar à literatura depois de estudar desenho e escultura. Sua obra inclui poemas, peças de teatro e, principalmente, romances, entre eles Um campo vasto, A ratazana, Anos de cão, O linguado, Maus presságios e O tambor  — considerado uma das obras-primas da literatura européia deste século. Escritor político e comprometido, porta-voz da geração de alemães que cresceu sob as sombras do nazismo e sobreviveu à guerra, Grass é um autor polêmico, várias vezes indicado para o Prêmio Nobel, e que suscita discussão a cada nova obra.
.
"O último herege." - The New York Times Book Review
"Grass é o tambor da discórdia." - The Economist
"O mestre está de volta!" - Die Woche
"Grass é o homem que se apresentou para entender os mecanismos do capitalismo na nova Alemanha." - The Times
"Günter Grass continua sendo a referência da literatura alemã atual, e este romance é a obra de um grande escritor do pós-guerra." - El País 
.
http://www.editoras.com/record/058222.htm
.
.

Literatura
Autores alemães: Günter Grass
.
O maior escritor alemão em atividade e um dos mais comprometidos com a história e a política de seu país. Günter Grass nasceu em 1927, na cidade de Danzig, que hoje pertence ao território polonês e se chama Gdanski. Lutou na Segunda Guerra Mundial, quando foi ferido e capturado por tropas americanas, sendo libertado apenas em 1946. Depois disso, trabalhou como agricultor e em minas de potássio. Assim, antes de se dedicar à literatura, Grass conheceu a realidade do povo alemão e a sua tentativa de reconstruir um país semidestruído pela guerra. 
.
Foi com essa consciência de nacionalidade que Grass iniciou seus estudos literários na Academia de Artes de Düsseldorf e na Academia de Belas Artes de Berlim. Suas primeiras obras foram para o teatro, com boa acolhida da crítica. Mas seu primeiro romance, "O Tambor", também o mais conhecido e festejado pela crítica, foi recebido com ira pela sociedade da época. A narrativa trata da história do anão Oskar, do seu nascimento até sua internação num sanatório. O livro é uma crônica dos efeitos de desagregação e individualismo que se apoderam das pessoas em regimes totalitários, como o nazismo. O Tambor, escrito em 1959, é uma obra que continua atual, ainda mais com o crescimento de movimentos racistas e de extrema direita na Europa contemporânea. 
.
Assim, Günter Grass dedicou sua obra a dissecar a realidade do povo alemão e principalmente as feridas não cicatrizadas da Segunda Guerra Mundial. Nos anos 60, dedicou-se à luta pelos ideais democráticos e à militância política pelo Partido Social-Democrata. Desde então, desenvolveu suas críticas contra o imperialismo americano, o que lhe fechou várias portas no mundo literário ocidental. No fim dos anos 80, suas críticas se voltaram para a unificação das Alemanhas Ocidental e Oriental, que considerou forçada e equivocada. Para Grass, as diferenças culturais desenvolvidas em 40 anos não foram levadas em conta. Suas considerações sobre este assunto, no livro "Um Vasto Campo", foram execradas pela crítica alemã, que festejava a união. 
.
A concessão do prêmio Nobel de Literatura de 1999 a Günter Grass não poderia deixar de ser uma decisão relutante. Desde o início dos anos 80, a Academia Real da Suécia avaliava a possibilidade da premiação, mas, devido às posições políticas e ao furor com que defendia suas idéias, a condecoração foi várias vezes adiada. O Nobel veio coroar a carreira de um dos escritores europeus mais inquietos do século passado, que fez da indignação e da ideologia sua estratégia e da palavra, sua arma. 
.
E Grass continua inquieto. Freqüentemente requisitado para participar de aulas, palestras e debates, onde defende com afinco suas posições políticas, ele ainda encontra tempo para continuar escrevendo. O seu mais recente livro, "A Marcha do Caranguejo" (Im Krebsgang), publicado em 2001, retoma o tema do nazismo, utilizando como pretexto o naufrágio do navio alemão Wilhem Gustloff, que partiu da cidade natal do escritor em 1945. A embarcação levava mais de 12 mil pessoas fugindo da ofensiva da U.R.S.S. contra a Prússia Oriental e a Pomerânia. No meio da viagem, o Gustloff foi atingido por um torpedo soviético e afundou, matando cerca de 9 mil passageiros. O naufrágio, cinco vezes maior que o do Titanic, em 1912, nunca teve repercussão, abafado pelo regime nazista.

Dicas do
nosso infocenter!!

Meu século
Ed. Record, 1999

Grass passeia pela história alemã recente, através de personagens anônimos que

vêem seus cotidianos alterados pelos acontecimentos nacionais e mundiais.
Um pequeno conto para cada ano do século XX.
O tambor
Ed. Nova Fronteira, 1959

A história do anão Oskar, desde seu nascimento até sua internação num sanatório. Uma alegoria contra o entusiasmo alemão pelo nazismo antes da 2ª Guerra Mundial. Considerado o romance mais importante da Alemanha na 2ª metade do Século XX.

Um campo vasto
Ed. Record, 1995

Enquanto a maior parte do mundo ansiava pela reunificação das Alemanhas Oriental e Ocidental, Grass expõe a violência política e cultural que isso causaria. Um dos livros mais polêmicos da década passada.
 http://www.ccba.com.br/asp/cultura_texto.asp?idtexto=37
.
.


Gunter Grass: retrato de um Nobel


Tags:
Gunter Grass é, talvez, um dos autores contemporâneos mais multifacetados. A sua obra estende-se por áreas tão diversas como a Poesia, o Romance, o Teatro, a Escultura, a Pintura. Este ano, o Nobel da Literatura trouxe-o para as bocas do mundo.
Gunter Grass é, talvez, um dos autores contemporâneos mais multifacetados. A sua obra estende-se por áreas tão diversas como a Poesia, o Romance, o Teatro, a Escultura, a Pintura. Tornou-se conhecido com a publicação de "The Tin Drum" (no original, "Blechtrommel"), em 1959, uma obra que funcionou, na época, como uma espécie de "grito" da juventude que cresceu na era do Nazismo hitleriano. O autor que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1999, descreve-se como "um apóstolo do Iluminismo, numa época que se cansou da Razão".
Gunter Grass nasceu em Danzig, na Alemanha (actual Gdansk, Polónia), em 1927. Muito jovem, durante a década de 30, alista-se na Juventude Hitleriana. Aos 16 anos, integra o exército e, em 1945, é ferido na guerra, pouco antes de ser preso. Até ao ano seguinte, fica na prisão de Marienbad, na Checoslováquia. Após ser libertado, exerce diversas actividades, desde a agricultura às minas. Chegou também a ser aprendiz de pedreiro.
Em 1948, entra para a Academia de Arte de Dusseldorf, onde estuda pintura e escultura. Estudos que prossegue, de 1953 a 1955, na Academia de Belas Artes, em Berlim Ocidental. É nesta altura, em 1954, que casa pela primeira vez, com Anna Margareta Schwartz, de quem se divorcia 24 anos depois. Um ano mais tarde, em 1979, casa com Ute Grunert, com quem ainda vive.
É durante os anos de universidade, em Berlim e em Dusselforf, que Gunter Grass começa a escrever poesia. Chega mesmo a fazer leituras perante um influente grupo de escritores, o Grupo 47.
Na segunda metade dos anos 50, muda-se para Paris, onde vive, até 1960, como escritor e escultor. É em Paris que começa a escrever "O Tambor" ("The Tin Drum"), o seu maior sucesso literário, publicado em 1959.
Quando saíu, "O Tambor" causou uma autêntica onda de furor na Alemanha, devido à forma como o autor retratava os anos do Nazismo. Todo o argumento roda em torno de Oscar Matzerath, cujo único meio de comunicação é um tambor de brinquedo, utilizado como forma de protesto contra as crueldades da Alemanha de Hitler.
Posteriormente, "O Tambor" foi entendida como uma parte da chamada "Trilogia Danzig", em que Grass descrevia as experiências da classe média - baixa da sua aldeia natal, durante os anos da segunda guerra mundial. Uma trilogia que Grass continuou em 1961, com "Cat and Mouse", e em 1963, com "Dog Years". Mas, mais tarde, o autor veio a considerar que "O Tambor" não se encaixava nesta trilogia, uma vez que se tratava de um retrato dos crimes nazis e das dificuldades da sociedade do pós-guerra em aceitar os elementos que tinham pertencido ao regime hitleriano.
Depois de Danzig, Berlim torna Berlim no novo foco da sua escrita. São disso exemplos claros, os argumentos de teatro que escreveu para "The Plebeians rehearse the uprising", de 1966; o romance "Local Anaesthetic", de 1969; ou o drama "Davor", todos eles com Berlim como cenário privilegiado.
A política teve também um lugar reservado no percurso de Gunter Grass. No final dos anos 60, escreve discursos para Willy Brandt, Chanceler da FRA entre 1969 e 1974. Estes discursos estão publicados na colectânea "The citizen and his voice", de 1974.
Durante as décadas de 70 e 80, o feminismo, a gastronomia e a ecologia são temas que passam a preocupar o autor, levando-o a alargar o leque de assuntos focados na sua obra. São desta época exemplos como "From the diary of a snail", de 1972; ou "The Flounder", de 1977. Aqui, Grass descreve o desenvolvimento da civilização como uma luta permanente entre os sonhos destrutivos de grandeza dos homens e o combate das mulheres pela realização. Explora campos como o papel histórico da gastronomia, os papéis sexuais, o feminismo.
As mulheres são tema de várias obras de Gunter Grass, algumas delas já datadas dos anos 90, como "The call of the toad", de 1992.
Em 1995, Grass escreve sobre a reunificação alemã: o protagonista de "Ein Weites Feld", Theo Wuttke, é um estudioso da obra do escritor do século 19 Theodor Fontane. É na obra dele que encontra paralelos de comparação com os acontecimentos históricos que fizeram a reunificação.
Já em 1999, Gunter Grass publica "Mein Jahrhundert" ("O Meu Século"), em que varre, sob a forma de comentário, todo o século 20. O livro tem 100 capítulos, um para cada ano, em que se destacam 100 acontecimentos que marcaram este século.
"Numa tentativa após a outra", ele queria ultrapassar a fronteira alemã-alemã e se intrometer nas duas eleições, de maio e de dezembro. Foi com essa intenção que Grass começou, em 1990, a fazer suas anotações. Dezenove anos depois – e meio ano após o lançamento de seu livro autobiográfico Die Box (A Caixa) – seus diários daquela época foram publicados: Unterwegs von Deutschland nach Deutschland (Em trânsito da Alemanha para a Alemanha).
Günter Grass anunciava com cogumelos a sua despedida provisória da escrita literária. Desenhados em sua casa de férias em Portugal, eles decoram a primeira página de seu diário. A obra narrativa Maus Presságios (Unkenrufe), na qual ele, na verdade, pretendia trabalhar, acabaria por acompanhá-lo durante todo o ano. Também havia um outro projeto com que ele já estava envolvido: um grande romance da "reunificação", unindo Berlim e Theodor Fontane. No diário, o nome provisório do romance ainda era Treuhand [nome da holding estatal que administrou as privatizações no processo de reunificação]; em 1996, ele foi publicado sob o título de Um Campo Vasto (Ein weites Feld).
Diário como dever
Em 1990, ele se entrega ao dever. Günter Grass não é aficionado em escrever diários; só quando ocorre algo incomum é que ele se submete a esse ritual cotidiano. Como em 1969, quando ele se envolveu na campanha eleitoral do Partido Social Democrata (SPD). Isso não o levou, no entanto, a apreciar o gênero. As partes políticas são pouco expressivas, apesar dos melhores contatos com o poder.
Os pensamentos de Grass giram com frequencia demasiada em torno de seus assuntos próprios. "É grotesco que, aqui na Feira do Livro, eu esteja envolvido com três editoras", anota ele em março de 1990, em Leipzig. Nenhuma palavra sobre os outros escritores e sobre a atmosfera do evento. Nada das fartas descrições dos diários de Martin Walser ou dos comentários autoirônicos que tornam as anotações de Peter Rühmkorf tão dignas de serem lidas.
Günter Grass se apresenta como admonitor e crítico à moda antiga. Ele adverte desde cedo contra as consequencias de uma "incorporação" da Alemanha Oriental pela Ocidental, opõe-se à reunificação e se mostra supersensível a tons nacionalistas – isso já tinha se tornado público antes.
Günter Grass e sua mulher UteGünter Grass e sua mulher Ute

Ilusionismo Quadrilátero

ILUSIONISMO
.

* Victor Nogueira .
.
Ele há um tempo p’ra tudo na vida
Cantando hora, minuto, segundo;
Por isso sempre existe uma saída
Enquanto nós estivermos neste mundo.
.
Há um tempo para não fenecer
Há mar, sol, luar e aves com astros
Há uma hora p'ra amar ou morrer
E tempo para não se ficar de rastos.
.
P'ra isso e' preciso sabedoria
Em busca dum bom momento, oportuno,
Com ar, bom vinho, pão e cantoria,
Sem se confundir a nuvem com Juno.
.
1991.08.11 - SETUBAL