.
.
Introduçao ao filme "Acto da primavera" (1963) de Manoel de Oliveira.
.
.
Sequência final de Acto de Primavera, de Manoel de Oliveira, 1963.
As imagens dos jornais de actualidades foram seleccionadas por Paulo Rocha.
Depoimento de Paulo Rocha, Alberto Seixas Santos, António-Pedro Vasconcelos, Fernando Lopes e excertos do filme Acto de Primavera, de Manoel de Oliveira, 1963.
Excerto do documentário Novo Cinema - Cinema Novo, da série História do Cinema Português, 1998, prod. Acetato Filmes.
.
.
.
.
.
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
.
É ainda uma das obras contemporâneas do cinema
etnográfico praticado por
Jean Rouch e, nesse contexto, obra marcante no domínio da
antropologia visual: prática que tinha e viria a ter importantes contribuições em Portugal. A
docuficção, etnográfica ou social, seria explorada por
António Campos,
António Reis,
Ricardo Costa e, mais tarde, por
Pedro Costa, com diferentes abordagens.
Ricardo Costa havia também de filmar o seu
Auto da Paixão em lugar oposto, na vila do
Redondo, no
Alentejo (
O Pão e o Vinho -
1981).
.
O Acto da Primavera estreou no cinema Império, em
Lisboa, a 2 de Outubro de
1963.
Ficha sumária
Sinopse
«Representação popular do
Auto da Paixão, segundo o texto medieval de
Francisco Vaz de Guimarães, apresentando a atmosfera duma comunidade que, para além das fainas e dos ritmos quotidianos, se transfigura em seus rituais ingénuos mas sinceros. Ao espectáculo, celebrado pela Páscoa e de iniciativa própria, assistem as gentes das aldeias vizinhas, sendo antecedido por uma apresentação, em que se enumeram as suas diversas fases». Cit.:
José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, ed. da
Cinemateca Portuguesa, 1999.
Enquadramento histórico
No prosseguimento da sua experiência com
Douro, Faina Fluvial, Oliveira, sempre fascinado por paisagens de infância, pelo sentido musical da imagem animada, resolve meter nela a palavra:
Aniki-Bobó. Por imperativos técnicos, imobiliza-se a câmara. Conta-se uma história e as personagens falam. São crianças. O diálogo é escrito. E o escrito é dito e a paisagem de fundo torna-se palco para uma ditada encenação. Os imperativos da palavra emperram o modo de filmar, o olhar fixa-se em quadros estáticos e o resultado fica entre o teatro e o cinema.
.
Volvidos dezanove anos, filmando teatro de um modo teatral, como antes, com equipamentos ainda pesados mas agora sem texto escrito, Manoel de Oliveira fará do
Auto da Paixão um marco na sua carreira. A questão do imperativo teatral no seu cinema, aqui misturado com crença religiosa, tem origem neste filme e isso fundamentará opiniões e vontades que na sua carreira apostam e que no futuro se hão-de afirmar:
O Passado e o Presente (
1971).
.
A teatralidade, entretanto condizente n'
O Acto da Primavra, tinha sido defeito em
Aniki-Bobó. Voltou a ser defeito n’
O Passado e o Presente, mas mal isso foi dito ergueram-se as vozes e as vontades. Houve barafunda. A questão acabou por ficar mal esclarecida. Mas pouco tempo depois ficou toda a gente a saber, feitas as contas, quem tinha razão. A prova estava bem à vista no teatral arrojo de tudo o que se vê no
Amor de Perdição. Como não podia deixar de ser, a peça seria verbosa e longa, bem à medida do
romantismo camiliano e do típico
sentimento português.
.
Outras provas marcantes haviam de surgir. À parte algumas notáveis excepções, o estilo vingou. E Oliveira, desinteressando-se de vez pela raia miúda, firmou-se no insólito, no imaginário da
burguesia, em temas grandiloquentes, em retratos
expressionistas,
surreais, de ilustres figuras do seu passado e do seu presente. Vogaria ágil a sua caravela, velas enfunadas pela ventania que, num ápice, o faz chegar às Américas.
Elenco
Ficha técnica adicional
- Apetrechos: Amândio Medeiros
- Caracterização: Max Factor – Adélia Chaves
- Director de som: Manoel de Oliveira
- Operador de som (referência) : Maria Isabel de Oliveira e Rosalio Almada.
- Assistente de som: João Barbosa
- Montagem da versão francesa: António Lopes Ribeiro
- Laboratório de Imagem: Tóbis Portuguesa e Ulyssea Filme
- Laboratório de som: Studios Marignan (Paris)
Ver também
Ligações externas
.
.
.