Tempo em Setúbal

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sexta-feira, 4 de março de 2011

VITAS - Дорогой длинною/Those were the days


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De:             | Criado:             02/12/2010
Música: Boris Fomin
Letra: Konstantin Podrevsky

Letra em russo:

Ехали на тройке с бубенцами,
А вдали мелькали огоньки...
Эх, когда бы мне теперь за вами,
Душу бы развеять от тоски!

Припев:
Дорогой длинною,
Погодой лунною,
Да с песней той,
Что вдаль летит звеня,
И с той старинною,
Да с семиструнною,
Что по ночам
Так мучила меня.

Да, выходит, пели мы задаром,
Понапрасну ночь за ночью жгли.
Если мы покончили со старым,
Так и ночи эти отошли!
Припев:

В даль родную новыми путями
Нам отныне ехать суждено!
Ехали на тройке с бубенцами,
Да теперь проехали давно!
Припев:

Letra em inglês (versão de Gene Raskin):

Once upon a time there was a tavern,
Where we used to raise a glass or two.
Remember how we laughed away the hours,
And dreamed of all the great things we would do.

Refrain:
Those were the days my friend,
We'd thought they'd never end,
We'd sing and dance for-ever and a day,
We'd live the life we choose,
We'd fight and never lose,
For we were young and sure to have our way.
Lalala lah lala, lalala lah lala
Those were the days, oh yes, those were the days.

Then the busy years when rushing by us.
We lost our starry notions on the way.
If by chance I'd see you in the tavern,
We'd smile at one another and we'd say:
Refrain:

Just tonight I stood before the tavern,
Nothing seemed the way it used to be.
In the glass I saw a strange reflection,
Was that lonely person really me.
Refrain:

Through the door there came familiar laughter.
I saw your face and heard you call my name.
Oh, my friend, we're older but no wiser,
For in our hearts the dreams are still the same.
Refrain:



Site oficial de Vitas: - http://www.vitas.com.ru/ - Vitas USA: http://www.vitasusa.com/ - Planet Vitas - http://www.planetvitas.com/ - Vitas Brasil - http://vitasbrasil.blogspot.com/


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Sugerido por
Tatianna Raquel disse...
Those were the days é uma canção creditada a Gene Raskin (falecido em  2004)que escreveu o texto em inglês para a canção russa Дорогой длинною  ("Dorogoi dlinnoyu"), escrita por Boris Fomin (1900-1948) com texto do  poeta Konstantin Podrevsky. A música (composta antes de 1917) trata da  remanescência sobre a juventude e o idealismo romântico. . Embora a  canção tenha sido popularizada no início da década de 60 pelo grupo The  Limelighters, Mary Hopkin foi quem escreveu a mais conhecida gravação,  que foi produzida por Paul McCartney e se tornou o primeiro hit dos  singles no Reino Unido e segundo nos Estados Unidos (foi lançada em 30  de agosto de 1968). A música foi traduzida para o castelhano (com o  título "Que tiempo tan feliz"), para o francês (com o título "Le temps  des fleurs"), para o italiano (com o título "Quelli erano giorni"), para  o português (com o título "Aqueles Tempos") e para o alemão (com o  título "Am jenem Tag").  A versão de Mary Hopkin foi lançada no  programa de televisão Opportunity Knocks, da BBC. A cantora Sandie Shaw  também gravou a música, mas não teve o mesmo sucesso que a versão de  Mary Hopkin.  Durante a década de 70, quando o contrato de Mary  Hopkin terminou com a Apple, esta peça, junto com o single Goodbye,  foram regravados pelo produtor Tony Visconti. Somente esta versão  regravada pode ser encontrada em discos compilados, porque a Apple nunca  permitiu o uso de suas gravações originais.  Em 2005, Dolly Parton lançou um cover desta música, que se tornou o título de seu álbum com essa música. . Mais  de um século e cerca de 70 versões depois do lançamento da canção  russa, o popstar russo Vitas regravou em 2010 a canção Дорогой  длинною/Dorogoi Dlinnoyu (Those Were the Days), assim sendo sua versão  definitiva e em nova roupagem. ("Dorogoi Dlinnoyu" significa  literalmente "a longa estrada".) A canção é produzida por Sergey  Pudovkin e foi regravada especialmente também para a turnê de Vitas  Noite Agitada. . Adoro a versão do Vitas para "Dorogoi Dlinnoyu" e gostaria que Vitas cantasse essa canção que ele regravou. 

Tatianna Raquel disse...
Mais de um século e cerca de 70 versões depois do lançamento da canção  russa, o popstar russo Vitas regravou em 2010 a canção Дорогой  длинною/Dorogoi Dlinnoyu (Those Were the Days), assim sendo sua versão  definitiva e em nova roupagem. ("Dorogoi Dlinnoyu" significa  literalmente "a longa estrada".) A canção é produzida por Sergey  Pudovkin e foi regravada especialmente também para a turnê de Vitas  Noite Agitada. 

domingo, 17 de outubro de 2010

Mário Dionísio - O dia cinzento e outros contos

Dia cinzento e outros contos

[Mem-Martins]: Publicações Europa-América, 1967, col. Obras de Mário Dionísio nº2,
c./ desenho inédito de Júlio Pomar (1965)

desenho de Júlio Pomar



ÍNDICE


Evocação em forma de prefácio
9
Nevoeiro na cidade
19
Véspera
37
Assobiando à vontade
47
Os sapatos da irmã  
59
Morena-Vulcão
87
O corte das raízes
103
A lata de conserva
131
A corrida
141
Os bonecreiros vão de terra em terra
159
Uma principiante
193
Sardinhas e vento
203
Uma tarde de Agosto
225
Horas suplementares
251
Entre cafés e pensamentos
267


ASSOBIANDO À VONTADE


Àquela hora o trânsito complicava-se. As lojas, os escritórios, algumas oficinas, atiravam para a rua centenas de pessoas. E as ruas, as praças, as paragens dos eléctricos, que tinham sido planeadas quando não havia nas lojas, nos escritórios e nas oficinas tanta gente, ficavam repletas dum momento para o outro. Nos largos passeios das grandes praças havia encontrões. As pessoas de aprumo tinham de fechar os olhos àquele desacato e não viam remédio senão receber e dar encontrões também e praguejar algumas vezes. Os eléctricos apinhavam-se na linha à frente uns dos outros. Seguiam morosamente, carregados até aos estribos e por fora dos estri­bos, atrás, no salva-vidas, com as tais centenas de pessoas que saltavam àquela hora apressada­mente das lojas, dos escritórios, das oficinas. Além disso, nos dias bonitos como aquele, as ruas da Baixa enchiam-se de elegantes que iam dar a sua volta, às cinco horas, pelas lojas de novidades e pelas casas de chá, para matar o tempo de qual­quer maneira, ver caras conhecidas, cumprimen­tar e ser cumprimentadas, e só voltavam a casa à hora do jantar.
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A multidão propunha uma confraternização à força. Era preciso pedir desculpa ao marçano que se acabava de pisar, implorar às pessoas pen­duradas no eléctrico que se apertassem um pouco mais para se poder arrumar um pé, nada mais que um pé, num cantinho do estribo, muitas vezes sorrir para gente que nunca se tinha visto antes e apetecia insultar. Os elegantes e as elegantes achavam naturalmente tudo isto muito aborre­cido. Sobretudo a necessidade absoluta de seguir naquelas plataformas repletas em que não viaja­vam só cavalheiros, mas muitos homenzinhos pouco correctos e onde esses mesmos homenzi­nhos e mulheres vulgares deitavam um cheiro insuportável. Que fazer, no entanto, senão ati­rar-se uma pessoa também para aquele mar de gente que empurrava, furava, pisava e barafus­tava até chegar ao carro? Que fazer senão em­purrar, furar, pisar e barafustar também?
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O carro seguia morosamente e repleto como os outros. Felizmente, ainda havia alguns homens correctos na cidade e algumas mulherezinhas que conheciam o seu lugar. Só graças a isso as se­nhoras que tinham arriscado os seus sapatos e os seus chapéus naquela refrega e alguns cavalhei­ros respeitáveis conseguiam sentar-se.
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Nos primeiros momentos de viagem, as pes­soas voltavam-se nos bancos, preocupadas, ten­tando ver se o marido, uma amiga, um filho, não teriam ficado em terra. Os que seguiam de pé ousavam dar um passo no interior do carro, a ver se teria ficado algum lugar vago por acaso. Havia logo protestos na plataforma. Depois as pessoas acomodavam-se o melhor que podiam, punham os braços no ar para livrar os embru­lhos do aperto, fechavam bem os casacos e as malas onde levavam o dinheiro, o condutor pu­xava energicamente o cordão da campainha mui­tas vezes, lotação completa, e o carro arrastava-se em silêncio.
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Os senhores respeitáveis, com compreensível e muda zanga dos companheiros do lado, come­çavam a desdobrar os jornais da tarde e a ler as notícias por alto. As senhoras, visivelmente mal dispostas, compunham os chapéus e as golas dos casacos. Tiravam os espelhinhos da mala e pas­savam tudo em revista: o chapéu, os cabelos, os olhos, os lábios. Era incrível. Uma tinha ficado com o chapéu completamente de banda, outra per­dera uma luva na confusão. Depois guardavam os espelhos, acomodavam-se melhor, percorriam com os dedos os anéis duma mão e da outra, para ver se estavam no lugar, se estavam todos. Olhavam umas para as outras, muito sérias, como quem não repara em nada. Recuperavam pouco a pouco a dignidade que aquele despropósito da subida para o carro evaporara.
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Nas curvas, as rodas chiavam nas calhas, de­baixo do grande peso. Silêncio enfim — embora de vez em quando cortado pela campainha, quando alguém tinha a triste ideia de querer descer, pelo desdobrar dos jornais, pela voz dos populares, encaixados na plataforma da frente.
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Tudo voltara à normalidade. A marcha do carro, a cobrança dos bilhetes, a separação entre as pessoas, que rigorosamente não conseguiam separar-se umas das outras um centímetro que fosse. E, assim, morosamente, por curvas e rec­tas, por ruas e praças, aquele carro cumpria o seu destino de acarretar gente e ser insultado, numa das várias linhas que ligavam o centro da cidade aos bairros relativamente novos, onde a separa­ção entre a chamada classe média e as camadas mais baixas da população não fora ainda conve­nientemente estabelecida.
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Em dada altura, porém, na plataforma de trás levantou-se burburinho. Protestos. Indignação. Cabeças voltaram-se no interior do carro. E viu--se um homenzinho a empurrar toda a gente e a dizer que havia lugares à frente, que o deixassem passar. Em vão lhe asseguravam que não havia lugar nenhum, que não podia passar, que não fosse bruto. O homem empurrava e teimava que havia lugares à frente. Tanto empurrou que fu­rou. Tanto furou que conseguiu entrar no inte­rior do eléctrico, avançou e foi sentar-se num lugar de lado que estava efectivamente vago lá à frente, ao lado duma senhora por sinal opulenta.
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Foi um espanto geral e silencioso. Ninguém tinha reparado no lugar. E menos que ninguém, como é fácil de compreender, a própria senhora opulenta. Todos os atrevidos têm sorte.
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O homem, que usava um chapéu coçado e um sobretudo castanho bastante lustroso nas bandas, não se sentou propriamente. Enterrou-se no lu­gar, com as mãos enfiadas pelas algibeiras den­tro. Que sujeito! Devia ser mais novo do que pa­recia por causa do cabelo grisalho e da barba por fazer. A senhora opulenta franziu a testa e remexeu-se no lugar, se assim se pode dizer, como quem procura ocupar menos espaço. Na verdade, apenas se instalou melhor. A sua intenção era fazer o homenzinho reparar na inconveniência da atitude que tomara. Mas ele não viu nada disso ou fingiu que não viu. Olhou vagamente as pessoas que tinha na frente, estendeu os lábios e começou a assobiar. A assobiar muito à vontade no inte­rior do carro!
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Primeiro, foi um assobio baixinho, pouco se­guro, imperceptível quase. Depois, a pouco e pouco, o sujeitinho entusiasmou-se. E o assobio aumentou de intensidade. Ouvia-se já em todo o eléctrico. Os passageiros, que tinham recupe­rado com tanto custo a sua dignidade, fingiam que não davam pelo homem nem pelo assobio. E sossegaram quando o condutor se dirigiu ao recém-vindo. Ia aconselhá-lo a calar-se, com certeza. Mas qual! Com o maço dos bilhetes na mão e de alicate espetado, limitou-se a dizer: «O senhor?» O passageiro tirou a mão da algi­beira e, sem deixar de assobiar, estendeu-a com a palma voltada para cima. Esperou que lhe levassem a moeda, recebeu o bilhete e tornou a enfiar a mão pela algibeira dentro. Toda a gente seguia a cena, interessada. Mas, quando o homem olhou as pessoas, ao acaso, voltaram todas os olhos como se ele afinal não existisse.
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O assobio, umas vezes, era baixo, mal se ouvia, outras vezes, alto, muito alto, com trinados ridí­culos e irritantes. Ninguém sabia o que ele asso­biava. E o homem também não. Qualquer coisa que lhe apetecia que fosse assim mesmo. Às vezes repetia os sons como um estribilho. Outras vezes, porém, a maior parte das vezes, passava a novas combinações, ora brandas, ora violentas, sem que­rer saber para nada das que ficavam para trás.
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As pessoas começavam a olhar umas para as outras à socapa. Já se tinha visto coisa assim? Um ou outro cavalheiro levantava os olhos do jornal, franzia a testa, fitava com dureza o ho­mem do chapéu coçado e sobretudo castanho, na esperança de que ele, envergonhado, parasse com aquilo. A senhora opulenta, no auge do espanto, nem se atrevia a olhar para lado nenhum, vexadíssima porque, sem ter culpa nenhuma, se en­contrava em plena zona do escândalo. A que uma pessoa está sujeita!
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E, no silêncio do carro, o assobio aumentava de volume. Talvez, no fundo, aquele gorjeio ridí­culo não fosse desagradável de todo. Simples­mente, um eléctrico não é o local mais próprio para exibições daquelas. Porque não interferiria o condutor? O condutor era a autoridade do carro. Porque não interferiria? Estava-se a ver. Era tão bom como ele. A verdade, porém, é que não se conhecia nenhum regulamento que impe­disse os passageiros de assobiar. Colados aos vidros do eléctrico, havia papéis que proibiam fumar, cuspir no carro. Era proibido abrir as janelas durante os meses de Inverno. Mas nem uma palavra a respeito de assobios.
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De repente, uma criança que ia sentada junto duma janela e já se sentia enfastiada de olhar para a rua interessou-se pelo homem. Achava-lhe tanta graça, com o seu chapéu coçado, o seu sobretudo castanho, o seu assobio... Era uma criança muito pálida, de cabelos louros e encara­colados, vestida de azul. Interessou-se tanto pelo homem que começou a bater palmas. Mas uma senhora nova e bonita, que ia ao lado dela, segurou-lhe as mãos com gentileza e afastou-lhas. Devia ir calada e quietinha. Era muito feio fazer barulho no eléctrico. Uma menina bonita não fazia barulho. «Que disse eu à minha filha?» No entanto, a senhora nova e bonita não antipatizava com o homem. Olhava os embrulhos de papel vistoso que trazia nos joelhos e pensava: se não pudesse mais e começasse também a assobiar? No fundo, admirava a sem-cerimónia do homem do chapéu coçado. Não seria adorável ela própria, uma senhora casada e mãe duma garota de cinco anos, começar a assobiar num eléctrico se lhe apetecesse? Quando era da idade da filha, a se­nhora bonita ia muitas vezes ao campo vestida com coisas velhas para poder atirar-se para a relva à vontade. Tinha uma voz muito suave e muito fresca, gostava de fazer precisamente aquilo que uma menina bonita não deve fazer. Os amigos do pai pegavam-lhe ao colo, atiravam-na ao ar. E ela ria, ria, ria até ficar sufocada. A mãe dizia: «Pronto, pronto, vamos a ter juízo, não se ri assim dessa maneira.» E, quanto mais lho di­ziam, mais lhe apetecia rir, rir, rir.
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De vez em quando, um passageiro saía. A pla­taforma do carro ia-se esvaziando. E, pouco a pouco, os que ficavam foram-se habituando àquele estúpido assobio. Os cavalheiros tinham esque­cido os jornais. Algumas senhoras sorriam. Já se vira um disparate assim? Principalmente a se­nhora opulenta não podia mais. Apertava os lá­bios. Sentada num banco de lado, encontrava os olhos de toda a gente. Era irresistível. E a se­nhora bonita pensava em ar livre e nos tempos da infância. Na escola aprendera a assobiar e a lançar o pião. Havia vozes que tinham ficado den­tro dela: «Uma menina a assobiar, Nini?»
Em dada altura, o homem, sem deixar de asso­biar, levantou-se e puxou o cordão da campainha. Era um homenzinho insignificante, ainda novo e já de cabelos grisalhos, chapéu coçado, sobre­tudo castanho muito lustroso nas bandas. Mas havia nele uma indiferença soberana pelo eléc­trico inteiro. Toda a gente o olhava. Com des­prezo? Com ironia? Com inveja? Abriu a porta, fechou-a e saltou com o carro ainda em anda­mento.
As pessoas voltaram-se então umas para as outras, não resistiram mais e riram mesmo. Que homenzinho patusco! Desculpavam-se, explicavam-se sem palavras. Entendiam-se. Um minuto de simplicidade e simpatia iluminou-as. A criança que batera palmas limpou com a mão o vidro em­baciado da janela à procura do estranho passa­geiro. Viu-o atravessar a rua, seguir pelo passeio agarrado às casas, desaparecer.
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Só então a senhora nova e bonita, que era a mãe da criança, abriu os olhos. Ninguém hoje lhe chamava Nini. Nini era a filha. Ela agora é que dizia à filha: «Uma menina a assobiar, Nini! Uma menina bonita não faz barulho.»
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Ficara nos lábios e nos olhos de todos um sorriso de bondosa ingenuidade. Depois esse sor­riso foi-se apagando. Morreu. As pessoas toma­ram consciência da sua momentânea quebra de compostura. Lembraram-se dos seus embrulhos, dos seus anéis, dos seus jornais. Que patetice! Não havia outra palavra para aquilo. Que pate­tice! Os cavalheiros recomeçaram a ler os títulos das notícias. As senhoras deram um toque nas golas dos casacos. A criança tornou a olhar para a rua.
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Tudo voltou, pesadamente, a encher-se de si­lêncio e dignidade.

Mário Dionísio
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http://www.centromariodionisio.org/dcoc.php
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Mário Dionísio
(1919- 1993)
Poeta, ensaísta, ficcionista, romancista, artista plástico e crítico de arte teve um papel importante no neo-realismo português sendo um dos principais promotores e teorizadores desta corrente. A sua poesia foi-se progressivamente afastando do neo-realismo uma vez que o autor evoluiu com o tempo e as mudanças estéticas, políticas e sociais, muito embora se tenha afirmado sempre como opositor aos fascismo salazarista.
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Obras:
Poesia - Poemas, 1941; Riso Dissonante, 1950; Memória Dum Pintor Desconhecido, 1965; Poesia Incompleta, 1935-1965; Le Feu qui Dort, 1967; Terceira Idade, 1982.
Ficção - Dia Cinzento, 1944 (contos); Não Há Morte Nem Princípio, 1969.
Ensaio - Ficha 14, 1944; Introdução à Pintura, 1963; A Paleta e o Mundo, 1956 (primeiro volume), 1962 ( nova edição em 5 volumes).
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[Casa da Achada] Centro Mário Dionísio

O Largo da Achada, para o qual dá uma das fachadas da Casa da Achada, tem muita história. Várias casas são anteriores ao terramoto. ...
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quarta-feira, 14 de julho de 2010

O FOGO E AS CINZAS & TEMPO DE SOLIDÃO - MANUEL DA FONSECA

Domingo, 7 de Dezembro de 2008
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O FOGO E AS CINZAS & TEMPO DE SOLIDÃO - MANUEL DA FONSECA

Manuel da Fonseca, um dos maiores representantes do neo-realismo português, além de exímio contista, destaca-se também como romancista (“Cerromaior” -1943, “Seara do Vento” - 1958) e poeta (“Rosa dos Ventos” - 1940, “Planície” - 1942). É como contista que iremos analisá-lo a seguir.
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Ao contrário das personagens de Miguel Torga, que surgem do nada e tornam-se densas e humanas, as personagens dos contos de Manuel da Fonseca são mais elaboradas, mais estruturadas, dificilmente surpreendem dentro do imprevisto. As personagens adquirem uma personalidade psicológica que evoluí conforme o meio social em que se encontra, mantendo sempre uma estrutura equilibrada, de onde a razão vai de encontro ao que esperamos da vida, do quotidiano, seja ele vivido no campo ou na cidade. Cada personagem ficcional de Manuel da Fonseca parece a reunião de três indivíduos reais, ou seja, o autor transporta para a ficção duas ou três personalidades reais, fazendo assim, um trabalho de elaboração, onde a história contada tende a um clímax esperado, nunca, ou quase nunca, espontâneo como vimos nos contos de Miguel Torga. Aqui analisaremos os livros de contos “O Fogo e as Cinzas” e “Tempo de Solidão”, duas obras de tempos diferentes da história portuguesa. O “O Fogo e as Cinzas“ é o retrato das pequenas vilas e aldeias do interior português, personagens típicas dessas terras, que compõem o conjunto de uma sociedade secular. “Tempo de Solidão” retrata a cidade da grande, a urbanidade e a transformação dos costumes, o homem do interior migra para a grande cidade, muitas vezes a perder-se diante do anonimato urbano.

O Fogo e as Cinzas, Retratos do Interior Português

Ao analisarmos os contos do livro “O Fogo e as Cinzas” (19ª edição - Caminho - 1992), vamos encontrar semelhanças com os “Contos da Montanha” de Miguel Torga. Tal qual Torga, estes contos foram escritos durante o Estado Novo, tendo sido publicados pela primeira vez em 1951. Para compreendermos melhor a época, os contos estão situados numa Europa pós-guerra, onde os primeiros anos da guerra fria e da afirmação nuclear são os principais problemas. Enquanto assistimos ao enterro dos nacionalismos extremados, o Nazismo na Alemanha e o Fascismo na Itália, a Península Ibérica vive sob as ditaduras de Franco em Espanha e de Salazar em Portugal. É na ditadura de Salazar, voltada para as colônias africanas, numa política totalmente isolada do resto da Europa, fechada às mudanças intelectuais do mundo, que surge os contos aqui analisados. Neles vamos sentindo uma desolação das personagens que pouco a pouco. vêem surgir lentamente um progresso nas vilas e nas aldeias. Com este progresso acontece a perda de certos costumes, o eterno olhar saudosista do português sobre o que evoluí e o que se perde com tal evolução.
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Manuel da Fonseca faz desses contos sutis viagens através de Troia, desce por Sines, Milfontes, guia-nos até o Alentejo, indo desembocar no Algarve. Ao contrário de Torga, que faz das pedras transmontanas o cenário das suas personagens, Fonseca faz de várias regiões personagens também do campo, mas não só a gente que trabalha na terra, a gente humilde e sem esperança, aqui surge também donos de terras, com todos os seus caprichos e passionalismos, como no conto “Amor Agreste", onde força e paixão assumem um voluntarismo subtil, numa tensão mista de amor e desejo:

“António de Alba Grande, que tirara a namorada de dentro da golpelha, livrou-a da mordaça e da corda que lhe tolhia os membros. Afastou-se um pouco para o lado.“

Também encontramos trabalhadores típicos das vilas como os bombeiros voluntários, uma profissão muito respeitada e quase heróica no interior português. No conto “O Fogo e as Cinzas”, são as memórias da personagem descritas na primeira pessoa, que nos conduz através dos acontecimentos que mudaram a sua vida. Por duas vezes o fogo na cidade alterou a vida da personagem. A primeira vez, quando a namorada foi salva, mas quando saiu nos braços do bombeiro quase nua, o narrador jamais aceitou a vergonha do fato, deixando-se dominar pelo machismo e preconceitos das aldeias:

E poderia eu ter casado com Antoninha, depois de todos a observarem de barriga ao léu? Ainda agora coro ao pensar que estive quase, quase a fazê-lo.”

Também vamos encontrar os tropas de “Noite de Natal”, os mendigos, o adolescente que abandona a infância de “O Retrato”, enfim, as personagens mais diversificadas e típicas, que constroem um realismo lusitano.
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Ao olharmos para os contos de Manuel da Fonseca, vamos encontrar as personagens normalmente inseridas em determinados locais , num largo, num café, numa casa, cujas ações das mesmas vão sucedendo como um cotidiano bucólico, um marasmo perene do dia a dia. Primeiro os costumes vão sendo descritos para que tenhamos uma visão perfeita do local focalizado, do espaço, do ambiente, onde as personagens surgem como visitas, lentamente tomam forma e adquirem o controlo das ações, sobressaindo-se ao cenário. O tempo é sempre o momento de contar uma história, pode ser uma noite na taberna, um dia num monte alentejano, alguns anos no largo de uma cidade, mas sempre de acordo com a evolução da visão das personagens diante da vida. Assim, as marcas da transformação dos tempos e da paisagem, vão sendo mostradas diante da descrição da sensação das personagens. É o progresso que chega e leva embora a paisagem humana:

“Antigamente, o Largo era o centro do mundo. Hoje é apenas um cruzamento de estradas, com casas em volta e uma rua que sobe para a Vila. O vento dá nas faias e a ramaria farfalha num suave gemido, o pó redemoinha e cai sobre o chão deserto. Ninguém. A vida mudou-se para o outro lado da Vila.”
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Na descrição acima, no conto “O Largo”, ao contrário das personagens de Torga, onde parecem submergirem da paisagem agreste, as personagens de Manuel da Fonseca vêm em primeiro plano. O traço psicológico é evidenciado a cada parágrafo, as transformações do ambiente e do cenário vão sendo analisados por determinada personagem, que psicologicamente acompanha as mudanças do ambiente e, por fim, a mudança de atitudes, ou seja, elas evoluem mediante o exterior:

“O comboio Matou o Largo. Sob o rumor do rodado de ferro morreram homens que eu supunha eternos. O senhor Palma Branco, alto, seco, rodeado de respeito. Os três irmãos Montenegro, espadaúdos e graves. Badina fraco e repontão. O Estroina, bêbado, trocando as pernas, de navalha em punho. o Má Raça, rangendo os dentes, sempre enraivecido contra tudo e todos. O lavrador de Alba Grande, plantado ao meio do Largo com a sua serena valentia. Mestre Sobral. Ui Cotovio, rufião, de caracol sobre a testa. O Acácio, o bebedola do Acácio, tirando retratos, curvado debaixo do grande pano preto.”
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Tempo de Solidão, Uma Urbanidade Saudosista

Ao analisarmos os contos de “Tempo de Solidão” (3ª edição - Caminho -1985), vamos encontrar um Manuel da Fonseca totalmente urbano, perdido no progresso rápido da tecnologia, inserido no dia a dia da cidade e nas latitudes suburbanas ao redor dos grandes centros. Devemos analisar com a visão da mudança dos tempos, pois o conto “Tempo de Solidão” foi editado pela primeira vez em 1969, pelos Estúdios Cor. Nele vamos encontrar a solidão de um casal, separado pelo dia a dia, pelo trabalho na cidade. Os despojos do dia, os acessórios do cotidiano, a casa no subúrbio, a creche do filho, o telefone, a secretária, os escritórios; enfim, um mundo de transição entre o fim do regime salazarista e das mudanças contidas pré-1974. Nota-se perfeitamente o azedume de não ver nada além do marasmo, a tristeza de viver um tempo de estio. As personagens são tomadas por uma desolação do quotidiano, por um saudosismo dos tempos dos cafés do interior, da vida sem o metropolitano, da cidade sem o campo. Silvia e Guilherme temem o dia a dia, a opressão da nova vida urbana que vivem, o estar juntos, mas distanciados pela correria dos dias. Trabalhos separados, camas juntas, o encontro no fim da noite, os desejos do dia a dia. Desejos voyeuristas e dissimulados. A vontade de quebrar com o estabelecido, de fugir da rotina, o massacre das obrigações, as culpas do silêncio de cada um, por fim os corpos que se desejam no fim da noite, fazendo do momento de prazer a fuga de tudo:

“A princípio confuso, depois nítido, sobre os ombros de Guilherme, e apagando-lhe as feições, surge aos olhos de Sílvia a cara do “operário”, tal como ela a sentira, no consultório: calma, forte, repassando-a de serenidade. No mesmo instante, sobre o vidro embaciado da janela do comboio, projecta-se, aos olhos de Guilherme, como imagem de perdida felicidade, o rosto fresco e jovem da mulher entrevista no café. “
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Nestes contos, também nos deparamos com a venda das ideologias em nome da posição social e do trabalho. A personagem de “Uma Boa Passagem de Ano” é o exemplo do homem que para ter uma subida social dentro da empresa, despojou-se de valores pessoais, intimistas, perdendo um certo orgulho próprio. Apesar de querer estar em determinada posição social, é claramente repelido pelos outros, quando ele próprio repele àqueles que não pensam como ele ou, não sobem nas esferas sociais. Melancolicamente descobre que a sua ascensão é uma farsa, que apesar das mudanças, continua a admirar o amigo que mais pensa desprezar, e despreza a si próprio:

Ria tanto que me agarrei à barriga. E ao chegar ao carro ainda ria. “O Dimas não percebe”, pensava eu, e ria. “Cada um no seu lugar”, ria eu, de olhos arrasados de lágrimas. “Sim - ofendidos, mas curvados!” ”

Traçando um pouco o retrato do escritor famoso que não gosta de dar entrevistas, Manuel da Fonseca retrata em “A Entrevista” o modelo ideal do novo homem que viria com os anos setenta, ou seja ,o jovem pobre do interior, que para sobreviver trabalhava em vários empregos e custeava os estudos. Aqui ainda o reflexo do salazarismo, em que a luta, o trabalho, a humildade, fazem da componente psicológica do português o estereótipo do fim do Estado Novo:

“-Uma parte, na província, outra parte, aqui, na cidade. Um homem e uma mulher que passam tormentos para que o filho tire um curso. Querem elevá-lo à classe beneficiada pelo dinheiro. É assim que eles pensam que se deve fazer. Mas, na cidade, há uma rapariga que pensa de maneira diferente. E o rapaz, o tal que anda a tirar o curso à custa da miséria dos pais, descobre o erro em que vive. É isto o romance...”

Manuel da Fonseca , é aqui mais melancólico do que nunca, parece muitas vezes fugir do tempo atual e mergulhar no saudosismo de outrora. Saudades da juventude ou do tempo em que Portugal era um país de brandos costumes, com uma guerra colonial nas costas e cinqüenta anos de ostracismo cultural trancados nos calabouços da história? Saudades portuguesas.

Manuel da Fonseca
Manuel Lopes Fonseca, escritor do neo-realismo português, nasceu em 15 de outubro de 1911, em Santiago do Cacém, região do Alentejo.
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Manuel da Fonseca deixou o Alentejo para concluir os estudos em Lisboa. Mas é o Alentejo com as suas aldeias e vilas, que vai povoar o universo do escritor ao longo de sua obra, que mais tarde acaba por se tornar urbana.
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Militante do Partido Comunista Português (PCP), esta militância e escolha ideológica refletir-se-iam claramente na composição psicológica das personagens e na sociedade que as cercava. O escritor fez parte do grupo do Novo Cancioneiro, fazendo da sua obra uma importante intervenção social e política.
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Manuel da Fonseca chegou a fazer a Escola de Belas-Artes, deixando registros dos seus traços em retratos de amigos, com José Cardoso Pires, mas nunca se sobressaiu como artista plástico.
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Manuel da Fonseca morreu em 11 de março de 1993, em Lisboa, aos 81 anos de idade.


OBRAS:

Poesia

1940 – Rosa dos Ventos
1942 – Planície
1958 – Poemas Dispersos
1958 – Poemas Completos

Contos

1942 – Aldeia Nova
1951 – O Fogo e as Cinzas
1968 – Um Anjo no Trapézio
1973 – Tempo de Solidão

Romance

1943 – Cerromaior
1958 – Seara de Vento

Crônicas

1989 – Crônicas Algarvias
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publicado por virtualia às 19:00
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http://virtualia.blogs.sapo.pt/14198.html
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Dados Pessoais

Nome
JEOCAZ
Apelido
LEE-MEDDI
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quarta-feira, 10 de março de 2010

'''°º• Feя - Madeira - Choro-te


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365asantos



Tempo
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Com o passar do tempo...

Nós esquecemos...

Com o passar do tempo...

Você me esquece...

Com o passar do tempo...

Eu te esqueço...

Com o passar do tempo...

Tudo se acaba...

Com o passar do tempo...

Apenas recordação ...

Com o passar do tempo...

O tempo passou...e acabou.
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(Autor Halma Guerreira)

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http://meucantinhodaspoesias.blogspot.com/2009/10/tempo.html
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Calendário judaico ou hebraico



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




Calendário judaico ou hebraico (do hebraico הלוח העברי) é o nome do calendário utilizado dentro do judaísmo para a determinação da data das festividades, dos serviços religiosos e de outros eventos da comunidade.



O calendário hebraico é um calendário do tipo lunar baseado nos ciclos da Lua, composto alternadamente por 12 ou 13 meses de período igual ao de uma lunação, de forma a que o primeiro dia de cada mês é sempre o primeiro dia de lua nova. Nos tempos bíblicos a determinação dos tempos era realizada pela observação direta de testemunhas designadas para este fim, método seguido pelos Caraítas até os dias de hoje, os quais determinam o primeiro mês do ano como Abib.



O método atual entre os judeus rabínicos no entanto é um calendário fixo criado devido à necessidade de um calendário permanente para comunidades que vivessem fora de Israel. Este calendário tem base lunar, mas ajusta-se pelo calendário solar (enquanto o Calendário antigo ajustava-se pela maturação da colheita) para a inclusão de um novo mês, além de determinar o início do ano no mês de Tishrei.

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Ilusionismo Quadrilátero

ILUSIONISMO
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* Victor Nogueira .
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Ele há um tempo p’ra tudo na vida
Cantando hora, minuto, segundo;
Por isso sempre existe uma saída
Enquanto nós estivermos neste mundo.
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Há um tempo para não fenecer
Há mar, sol, luar e aves com astros
Há uma hora p'ra amar ou morrer
E tempo para não se ficar de rastos.
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P'ra isso e' preciso sabedoria
Em busca dum bom momento, oportuno,
Com ar, bom vinho, pão e cantoria,
Sem se confundir a nuvem com Juno.
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1991.08.11 - SETUBAL