Tempo em Setúbal

sábado, 28 de setembro de 2013

Sérgio Godinho - Um Tempo que Passou

Marcelo Bulgarelli

Carregado em 02/10/2007
Musica de Sergio Godinho e Chico Buarque
Clip de Marcelo Bulgarelli com imagens de arquivo

Vou 
uma vez mais 
correr atrás 
de todo o meu tempo perdido 
quem sabe, está guardado 
num relógio escondido por quem 
nem avalia o tempo que tem

Ou 
alguém o achou 
examinou 
julgou um tempo sem sentido 
quem sabe, foi usado 
e está arrependido o ladrão 
que andou vivendo com seu quinhão

Ou dorme num arquivo 
um pedaço de vida 
a vida, a vida que eu não gozei 
eu não respirei 
eu não existia

Mas eu estava vivo 
vivo, vivo 
o tempo escorreu 
o tempo era meu 
e apenas queria 
haver de volta 
cada minuto que passou sem mim

Sim 
encontro enfim 
iguais a mim 
outras pessoas aturdidas 
as horas dessas vidas que estão 
talvez postas em grande leilão

São 
mais de um milhão 
uma legião 
um carrilhão de horas vivas 
quem sabe, dobram juntas 
as dores colectivas, quiçá 
no canto mais pungente que há

ou dançam numa torre 
as nossas sobrevidas 
vidas, vidas 
a se encantar 
a se combinar 
em vidas futuras

Enquanto o vinho corre, corre, corre 
morrem de rir 
mas morrem de rir 
naquelas alturas 
pois sabem que não volta jamais 
um tempo que passou 


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Maria Bethânia - Anos Dourados (Golden Years)








Publicado em 02/12/2012
Maria Bethânia is a well known Brazilian singer with over 30 albums released. Maria was born in Bahia (Brazil) on June 18, 1946. She moved to Salvador when she was 13 years old. She released her first single, "Carcará" at age 19.

Parece que dizes
Te amo, Maria
Na fotografia
Estamos felizes
Te ligo afobada
E deixo confissões
No gravador
Vai ser engraçado
Se tens um novo amor
Me vejo a teu lado
Te amo?
Não lembro
Parece dezembro
De um ano dourado
Parece bolero
Te quero, te quero
Dizer que não quero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

Não sei se eu ainda
Te esqueço de fato
No nosso retrato
Pareço tão linda
Te ligo ofegante
E digo confusões no gravador
E desconcertante
Rever o grande amor
Meus olhos molhados
Insanos, dezembros
Mas quando me lembro
São anos dourados
Ainda te quero
Bolero, nossos versos são banais
Mas como eu espero
Teus beijos nunca mais
Teus beijos nunca mais

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Joaquim do Carmo - Estrelas de Outono

Estrelas de Outono


Folhas secas e amarelas
A cair, leves, no chão,
Trazem segredos que o Verão
Contou, de ti, às estrelas
Quando, amor, no meio delas
Brilhavas e teu clarão
Lhes dava a doce ilusão
De serem flores, das mais belas!

De teu sorriso, a alegria,
De teu olhar a esperança
Que ao peito dá confiança
E à noite a luz, que nem dia
Elas me falam; mas, fria,
A aragem do vento dança
E, humedecendo a lembrança,
Lhes torna a vida sombria!

E as saudades do luar
De Agosto, nas noites claras,
Das praias que iluminaras
Com teus olhos cor de mar,
Já só lhes deixam sonhar
Que as alegrias, tão caras
E, agora, mais e mais raras,
Desse tempo hão-de voltar!

Joaquim do Carmo in "Amanhecer pelo fim da tarde", Lua De Marfim Editora, Abril de 2013
© (direitos reservados)
Foto "Trough the Water", de Ju Oliveira (Joana Do Carmo) inhttp://olhares.sapo.pt/through-the-water-foto3898210.html

Pablo Neruda- Tu És em Mim Profunda Primavera



O sabor da tua boca e a cor da tua pele,
pele, boca, fruta minha destes dias velozes,
diz-me, sempre estiveram contigo
por anos e viagens e por luas e sóis
e terra e pranto e chuva e alegria,
ou só agora, só agora
brotam das tuas raízes
como a água que à terra seca traz
germinações de mim desconhecidas
ou aos lábios do cântaro esquecido
na água chega o sabor da terra?

Não sei, não mo digas, tu não sabes.
Ninguém sabe estas coisas.
Mas, aproximando os meus sentidos todos
da luz da tua pele, desapareces,
fundes-te como o ácido
aroma dum fruto
e o calor dum caminho,
o cheiro do milho debulhado,
a madressilva da tarde pura,
os nomes da terra poeirenta,
o infinito perfume da pátria:
magnólia e matagal, sangue e farinha,
galope de cavalos,
a lua poeirenta das aldeias,
o pão recém-nascido:
ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca,
volta ao meu coração, volta ao meu corpo,
e volto a ser contigo a terra que tu és:
tu és em mim profunda primavera:
volto a saber em ti como germino.

 in "Os Versos do Capitão"

domingo, 22 de setembro de 2013

Natália Correia - DE AMOR NADA MAIS RESTA QUE UM OUTUBRO


De amor nada mais resta que um Outubro
e quanto mais amada mais desisto:
quanto mais tu me despes mais me cubro 
e quanto mais me escondo mais me avisto.

E sei que mais te enleio e te deslumbro
porque se mais me ofusco mais existo.
Por dentro me ilumino, sol oculto,
por fora te ajoelho, corpo místico.

Não me acordes. Estou morta na quermesse
dos teus beijos. Etérea, a minha espécie
nem teus zelos amantes a demovem.

Mas quanto mais em nuvem me desfaço
mais de terra e de fogo é o abraço
com que na carne queres reter-me jovem.

Natália Correia in “Poesia Completa”

Ilusionismo Quadrilátero

ILUSIONISMO
.

* Victor Nogueira .
.
Ele há um tempo p’ra tudo na vida
Cantando hora, minuto, segundo;
Por isso sempre existe uma saída
Enquanto nós estivermos neste mundo.
.
Há um tempo para não fenecer
Há mar, sol, luar e aves com astros
Há uma hora p'ra amar ou morrer
E tempo para não se ficar de rastos.
.
P'ra isso e' preciso sabedoria
Em busca dum bom momento, oportuno,
Com ar, bom vinho, pão e cantoria,
Sem se confundir a nuvem com Juno.
.
1991.08.11 - SETUBAL